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Quem Faz

RICARDO CHAPOLA é jornalista do Estadão e escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem. Contato: ricardo.chapola@estadao.com
quinta-feira 29/03/12 14:54

Dúvidas românticas

Ao lado das ciências obscuras - da álgebra, da geometria, da física e da química - de todas as que lidam com leis, teoremas e fórmulas, coloco também as mulheres. Ponho-as ali pelo simples motivo de que, tal como essas monstruosidades que misturam letras e números numa linha, as mulheres, como as fórmulas, servem pra ser fagocitadas pelo cérebro, sem que a gente as entenda nos detalhes. Nem tente, poupe-se - é conselho de amigo. Atribuo a elas o mesmo grau ...

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sexta-feira 23/03/12 16:56

Segundas intenções

A primeira intenção é a embalagem; a segunda, a receita do conteúdo. É assim que nossas ações são postas nas prateleiras logo que saem quentinhas dos fornos do nosso cérebro. Igual à Coca-Cola, ao sorvete, às bolsas, aos carros e a tudo o que existe, as ações humanas são produtos nascidos a partir de uma matéria-prima - não, resolver chamar a menina mais gatinha da sala pra sair não veio assim do nada, nem rolou das escadas do Olimpo a ...

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quinta-feira 15/03/12 09:27

Mudança

casa

Era cor de goiaba a casa de onde logo mais vou sair. Justo agora que vou embora, a pintaram de azul em degradê, coisa chique. É uma pena porque não vou poder me orgulhar de morar na única casa azul em degradê da minha rua, onde todas as construções tem cores de goiaba para baixo. Em 22 anos de vida, que não considero mais tãããõ pouco, esta é só a segunda vez ...

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terça-feira 13/03/12 11:40

A maior das crises

Não foi nenhum jornal, nem a conversa que ouvi entre as duas senhoras na saída da quitanda, ambas aproveitando a alta do preço da alface para apoiar uma engenhosa teoria sobre o cataclismo, que me convenceram de que a humanidade está em crise. Nunca achei o contrário, embora eu mesmo sempre tenha atribuído ao fato outras causas bem mais simples que aquelas que tornavam a saladinha do almoço das senhoras um pouco mais salgada.

Deposito, basicamente, toda minha crença sobre a crise do homem moderno na abolição dos botões. Sim, os botões com os quais, algum dia, eu e você, leitor (a), já mantivemos a íntima relação baseada em apertões aqui e acolá sem qualquer pudor. Eles, cujas cores mil fisgam nossos dedos tão ávidos por pressão, estão virando o mico leão dourado de nossas selvas de pedra. Eu diria até que não se vê mais tantos botões como antigamente.

O homem nunca mais será o mesmo quando os botões forem extintos de uma vez por todas. Se realmente sumirem do mapa, serão jogados no esquecimento e no vazio da modernidade anos e anos de descobertas proporcionadas pelo toque de um dedo curioso. Evoluímos a espécie ao saber que o botão verde liga, e o vermelho desliga; decretamos feriado nacional quando descobrimos como chamar o elevador sem precisar assobiar e gritar: “Elevador, quero subir pro 10º”; soltamos rojões depois de perceber que a comida fica quente ao simples clique do “Aquecimento” no micro-ondas.

A modernidade é vazia, disse o autor americano Marshall Berman, cuja máxima, que também virou bordão de (pseudo) intelectuais modernos, é aplicável à minha tese dos botões. Vivemos numa constante vertigem, contaminados pela ideia de um culto excessivo à imaterialidade estendido ao nosso círculo de amizades, ao trabalho, ao amor e sobretudo, meus amigos, aos botões.

Não bastasse alimentarmos nossos bichinhos virtuais, conversamos por MSN e adicionarmos mais um amigo ao Facebook, hoje temos de lidar com a árdua sensação de fingirmos estar apertando um botão.

Steve Jobs é o inventor da desinvenção. Patrono da família dos I’s, imponente na modernidade com seus membros iPod, iPhone, iPad, iMac [...], ele transformou o botão num mísero e vazio conceito funcional. Pegou seus I’s, meteu uma telona plana e pôs apenas um botão que nem mesmo se parece como um. O resto é pura dissimulação de gozo: você bate o dedo na tela assim como se estivesse apertando um grande e atraente botão e pronto, o fenômeno acontece. Um verdadeiro sacrilégio!

Tento me esquivar do prenúncio de uma crise irreversível da humanidade, tanto quanto do sumiço de nossos queridos botões. Enquanto essa minha filosofia nostálgica não excitar a saudade nos dedos dos homens modernos, precisarei eu dar o braço a torcer. Largar mão dos botões e aprender os novos métodos para se chamar elevador, ou esquentar a comida, tudo isso assistindo, com aperto no coração, a Steve Jobs transformar história num grande e vazio conceito funcional. Tadinhos dos meus amigos botões.

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quinta-feira 08/03/12 16:05

Machas

Mulheres do meu Brasil varonil, recebam de peito aberto a efeméride deste tão afeminado dia. Mais rosa que o comum, mais perfumado que ontem, mais cheio da graça das meninas que vem e que passam no doce balanço a caminho do trabalho, do mercado, da faculdade. Do mar, aos fins de semana, se houver espaço na agenda entre a academia e a feira. Não questionem. Deixem a mania do feminismo radical de lado, ala que volta e meia cria as maiores ...

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terça-feira 06/03/12 11:35

Viciados

google_leonardorodriguesae

Cá entre nós? Eu sou viciado. Pronto, confesso, sem nenhum acanhamento de que, assim como existem tantos outros por aí, eu descobri que faço parte de uma legião que perdeu a batalha e se rendeu ao inimigo. Por isso, como usuário ativo, serei bem truta dos caras que ainda acham que a maconha tá na moda e aviso: “Bixo, vocês tão por fora”. O ecstase? Pfff, também não tá com nada. Acontece ...

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