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Quem Faz

Nascido em Araras (SP), o jornalista RICARDO CHAPOLA escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem.
quinta-feira 20/11/14 22:25

Óculos e curtição

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Ilustração: Felipe Blanco

Economistas moderninhos suspeitam que os jovens passaram a comprar mais óculos escuros depois da criação do Instagram, em 2010. De lá para cá, a timeline dos membros da comunidade científica viveu infestada de selfies de periguetes de Ray-Ban mandando beijinho.   Outra parte dos estudiosos acha, pra variar, que é reflexo do aquecimento global: uma maior incidência de raios ultravioleta seria capaz de elevar os níveis do ...

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quarta-feira 12/11/14 15:49

Banheiro masculino

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Ilustração: Felipe Blanco

  Um cidadão entra louco de vontade de mijar no banheiro da firma. Sem nenhuma cerimônia, escolhe o mictório do meio, deixando dois vagos em cada um de seus lados. Outro cidadão chega logo atrás, também muito apertado, já desabotoando as calças. Decide pelo urinol vizinho ao do primeiro rapaz. Ambos terminam suas necessidades sorrindo – não se sabe se de alívio, ou se pela piada que um ...

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quinta-feira 06/11/14 12:49

Gripe

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Ilustração: Felipe Blanco

Gente, tuto pem? Por aqui, bais ou benos. Bais pra benos, do que pra bais, cobo potem fer. É que tô cripado. Cripe das pravas, sape? Pensei até em dão escrefer, pas sempre achei a cripe um botivo buito fraco pra derrupar os ímpetos hubados. Agora, tepois tos 25, acho que dão acho pais.   Aliás, be tesculpem em estar escrevento assim. Foi o jeito que ...

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quinta-feira 30/10/14 09:17

A eleição e a paz

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Participei de alguns atos das chamadas Jornadas de Junho no ano passado, protestando pelo mesmo que os coxinhas, os croquetes, os risoles e as bolinhas de queijo. Vi amigos petistas dando as mãos a amigos tucanos, todos cansados de tudo aquilo que estava aí. Aqui, naquela época, tínhamos Alckmin, como agora, e Dilma, como agora.

 

Ilustração: Felipe Blanco

Pouca coisa mudou desde a última vez que o gigante acordou, dia daquela belíssima esbórnia suprapartidária. Voltou a hibernar pouco depois, despertando outra vez recentemente – e, pelo visto, de mau humor. Não houve festa, cortaram os salgados, meus amigos romperam. Foi uma merda. E continuou uma merda. E ainda está uma merda.

No ano passado também tinha merda. Pouca, mas tinha. Foi o suficiente para dar no que deu. Hoje o que não falta é adubo para novos arroubos revolucionários. As pessoas sempre negam. Eu insisto em não querer acreditar. Mas o que parece é que foi tudo mesmo só pelos 20 centavos. Com eles no bolso, a Petrobrás ficou suja, a água secou e só o que dizem é que folia com Heineken e coxinha é coisa de playboy. Brahma e espetinho, de pobre. Lacoste é coisa de direita. Camisa xadrez, esquerda.

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Esse tipo de pensamento se alastrou pelo País. Os nervos estão à flor da pele. Nas ruas, quem votou em Aécio é esnobado por quem votou na Dilma, que é xingado por quem votou no Alckmin, que é hostilizado por quem foi de Padilha. No domingo, depois do resultado, um gordinho deixava o diretório do PSDB de São Paulo aborrecido, com todo o direito. Um carro cheio de petistas passou em sua frente, buzinando freneticamente, com todo o direito. Os dois começaram se atacar, um sendo chamado de pobre e o outro de gordinho filho da puta, como se renda ou excesso de peso significassem alguma coisa na vitória ou na derrota de alguém.

 

Nem o Facebook salva. As listas com “os 10 livros prediletos de Sheila Melo” sumiram. Os testes também: desapareceram. O espaço foi todo preenchido pelas asneiras ditas no mundo real, variando a um grau sempre pior. Pais discutem com filhos, recriminando-os pela suposta rebeldia exacerbada. Gente tendo lampejos separatistas em um País que convive com as desigualdades desde a sua descoberta. Notícias mentirosas, gozações desmedidas, preconceito.

 

Saudade dos selfies, das fotos de comida, da futilidade irritante do Facebook. Saudade de ver as patricinhas e barbudos da FFLCH se pegando, sem que se preocupassem com o número que cada um colocou na urna. Saudade de quando a passagem de ônibus era capaz de unir todos os corações. A paz não custa nada. Nem mesmo 20 centavos.

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quinta-feira 23/10/14 08:45

Água santa

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Ilustração: Felipe Blanco

São Pedro e São Paulo num boteco, lavando roupa suja:   - Desembucha, Paulão: o que tá pegando? Nem me venha com história sobre chuva que disso eu também estou por aqui.   - Pois é, Pedro. No começo era só um trololó qualquer, mas agora o problema tá lá, dentro de casa, acometendo toda torneira que vê pela frente. Sabe há quanto tempo que meu pessoal não consegue ...

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quinta-feira 16/10/14 08:15

Academia

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Amanhã de manhã, vou pedir um café pra nós dois e depois, eu juro, palavra de escoteiro, vou para a academia. O despertador está para às 6h, exatamente o horário que me lembro que dormir é bom e, poxa, o dia vai ser barra, melhor deixar a malhação pra amanhã. Isso, melhor. Fecho os olhos pegando carona logo no primeiro carneirinho que passar antes da cerca.  

Ilustração: Felipe ...

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quinta-feira 25/09/14 08:59

MIS

Doutor Abobrinha

Nós, subscritos neste documento, não temos nada contra os moradores do Jardim Europa. Até temos divergências, grande parte delas sócio-econômicas, mas pela garantia da causa atual, vamos tratá-las hoje como resignações. Aceitaremos a ostentação da riqueza a cada esquina. Nos conformaremos com mansões, carros importados, chofer, coisas que não pertencem à realidade de gente diferenciada como a gente. Não protestaremos contra nada disso. Esperávamos só alguma coisa em troca, ou apenas que nos deixassem ser felizes comendo cachorro quente na ...

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quinta-feira 18/09/14 01:35

Ciclofaixa

Ciclovia

Ilustração: Felipe Blanco

- Amor, onde você vai de mochila? - perguntei, acostumado a vê-la só de bolsa em suas andanças.   - Hoje vou pro trabalho a pé. É semana da mobilidade urbana.   Fechou a porta e saiu, sorrindo não sei se feliz com o beijo de despedida, ou se pela satisfação de tirar um carro da rua. O melhor dos mundos seria se fosse pelas duas coisas juntas.   Sempre quando ...

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quinta-feira 11/09/14 07:13

A dieta

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Mulheres acreditam quando a gente diz que as ama, mas jamais engolem quando a gente diz que não estão gordas. Ninguém sabe exatamente o porquê. Talvez desconfiem de nosso senso crítico, ou mesmo creiam que o amor esteja viciando a nossa visão de mundo. O que sei é que, via de regra, o fenômeno desemboca sempre na mesma coisa: dieta.

Ilustração: Felipe Blanco 

Se botarem isso na cabeça, camarada, ...

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