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Quem Faz

RICARDO CHAPOLA é jornalista do Estadão e escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem. Contato: ricardo.chapola@estadao.com
quinta-feira 23/04/15 14:57

Cronista terceirizado

terceirizacao

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Ilustração: Felipe Blanco

Olá, esse blog não vai mais estar sendo escrito pelo autor. Ricardo terceirizou a produção. A partir de agora o blog vai estar sendo feito pela nossa empresa. A gente somos bons, a gente somos referência. Foi por isso que a gente fomos escolhidos. Porque a gente também somos baratos. Trabalhamos duro para te dar menas dor de cabeça. Trabalhamos duro: sem folga, de segunda ...

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quinta-feira 16/04/15 17:43

Cumprimentos

molhado

molhado

Ilustração: Felipe Blanco

  Tia Berenice já morreu. Era uma velhinha simpática, graciosa, daquelas que usava permanente no cabelo e tinha cara de vó. Ela gostava bastante de mim. Percebia isso pelo jeito que Tia Berenice me cumprimentava: com um beijo estalado, no cantinho da boca, onde sempre fazia questão de deixar o lembrete de seu afeto. Aquele molhadinho que nunca seca. Permanece na cara, até que decidimos abdicar ...

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quarta-feira 01/04/15 10:15

1º de abril

A Câmara encaminhou para votação um projeto pela redução da maioridade penal para 16 anos. Parlamentares acreditam que essa é a solução para a violência no País: falta cadeia, não falta escola. Faltava também um shopping center só para deputados, mas isso já está sendo resolvido pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Tudo deve custar R$ 1 bilhão. A Câmara tem dinheiro em caixa, e segundo ele, dinheiro limpo. Não tem nada a ver com a Lava ...

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quinta-feira 26/03/15 18:49

Não é assim que se combate o racismo

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 Ilustração: Felipe Blanco

Ser negro, gay, muçulmano, ou pertencer a qualquer grupo que sofra discriminação, não dá a ninguém o direito de ser preconceituoso. Deveria ser, em vez disso, uma lição de como combater o preconceito, não de como alimentá-lo.

Temos um exemplo recente circulando pela internet. Há poucos dias, um jovem negro foi ao Facebook protestar contra as cotas raciais nas universidades com o seguinte discurso: “Se é assim, vamos fazer cota para gostosa, porque existe na sociedade o preconceito de que toda gostosa é burra”. Amigo: não vamos. Mas se fôssemos, queria ver em qual cota você enquadraria a Beyoncé, ou a Michelle Obama.

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Não vamos por um motivo simples: até onde se sabe, gostosas são “apenas” discriminadas, mas nunca foram escravizadas. A não ser as negras que, essas sim, têm direito à cota não por serem gostosas, e sim por serem negras. O Brasil carece primeiro de uma cota para pessoas que falam besteira nas redes sociais. O mundo está cheio delas. É muito mais urgente.

Adotar políticas afirmativas como as cotas não significa subestimar alguém pela cor da pele. Ninguém é “verme, ou parasita do Estado”, como disse o rapaz, por ser cotista. São meios de compensar os quase 300 anos de retrocesso social que o País sofreu ao atravessar o período escravocrata de sua história. Negro virou gente não faz muito tempo: 1888. Ele só teve 127 anos para galgar o que o branco, inclusive a gostosa, galgou desde pelo menos 1500. O ataque a essas medidas do poder público afeta também todo o contexto que as sustentam. Quem ataca nega a escravidão. E quem nega a escravidão, pelo menos para mim, é o racista da história.

“Eu sou pobre, sou negro, vim da periferia, estudei minha vida toda em escola pública. E mesmo assim passei sem cotas na universidade federal de São Paulo”, disse o jovem, dando o exemplo de que o País não precisa de cotas. Amigo: parabéns! Mas o País não é você.

Todo mundo conhece a qualidade do ensino público no País. O governador Geraldo Alckmin, por exemplo, parece considerar péssimo. Veja a resposta dele ao ser questionado por um internauta se colocaria os filhos ou netos em escola pública, em entrevista dada ao Estadão:

“Eu fiz ginásio em escola pública. Fiz o científico em escola pública. Não tenho mais filho em idade escolar. Mas o que ele quer saber é: a escola pública precisa melhorar de qualidade. Eu estou de acordo”, afirmou Alckmin. Mas repórter insistiu: “A pergunta, governador, é se o senhor colocaria seu filho em escola pública. Tipo em Capão Redondo”. A resposta: “Olha, nós vamos trabalhar para melhorar a escola pública.”

Alunos de escola pública viram notícia quando são aprovados em grandes universidades. Banalidades não costumam parar nos jornais. Só o que surpreende.

O que esse jovem tem feito é criticar as cotas pelo ódio, através de uma argumentação rasteira e sem sustentação. Não é assim que que se combate o racismo. Assim você é racista e só piora toda a situação.

 

 

 

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quinta-feira 19/03/15 00:43

Pernilongo

pernilongo

pernilongo

Ilustração: Felipe Blanco

Zzzzzzzzzzzzzzz... Isso poderia ser você dormindo, mas não é. É o som do inimigo, zunindo fino no seu ouvido. Zzzzzzzzzzzz... PLAFT! Filho da puta. Escapou. Está escuro.  Você está zonzo, ainda embriagado de sono. Acender a luz não passa pelas ratoeiras do cérebro durante a madrugada. A claridade estraga o barato. Melhor ficar assim – você pensa involuntariamente.  Deita-se de novo, na esperança de a cuca te ...

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quinta-feira 12/03/15 01:34

Vamos falar de reforma política?

protesto

protesto

Ilustração: Felipe Blanco

Vamos supor que a pressão popular seja tão grande, mas tão grande que a presidente Dilma Rousseff sofra o impeachment. Sabe quem ocuparia o cargo no lugar dela? Uma dica: sua mulher é gatíssima. Não, não é Aécio Neves. É Michel Temer, o vice, cujo partido, o PMDB, está envolvido até as tampas no esquema de corrupção na Petrobrás. Tanto quanto o PT. Vamos supor que Temer ...

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quinta-feira 22/01/15 00:29

Calor

pizza

pizza  

Ilustração: Felipe Blanco

Je ne suis pas calor. Je suis frio. Je seria calor se trabalhasse à beira da piscina, bebendo “uns bons drink”. Meu chefe até curtiu a ideia, mas lembrou que em piscina vazia não boia ninguém. Sem água, achou melhor também cortar a bebida. Ressaca na seca não rola. Miou o esquema. Je suis triste agora. Mentira, já estava borocoxô. O bode dura três meses. O ...

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terça-feira 13/01/15 20:54

O pobre fala

Pior do que ser pobre é ser pobre hipertenso. Descobre que é hipertenso depois de ficar três horas na fila de um Pronto Socorro. Quem dá o diagnóstico é um médico cubano. O brasileiro sai correndo sempre na hora de atender. Diz que está de plantão no Hospital Samaritano, no Higienópolis. Muito pobre costuma desmaiar em velório. Quem é pobre não tem dinheiro para comprar a vida. Paga-se com ela. ________________________________

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