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RICARDO CHAPOLA é jornalista do Estadão e escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem. Contato: ricardo.chapola@estadao.com
sábado 23/01/16 17:14

Sotaque

sotaque

sotaque

Ilustração: Lucas Tonon

Não tem problema terrrrr sotaque. Pode terrrrrr. Não sei dionde surrrrgiu a ideia de que é feio. Quem disse? Porrrr que ocê tenta esconderrrrrrr e disfarrrrrrçarrrrr, replicano o jeito de falarrrrr das pessoas que criticam o jeito que ocê fala? Às veiz fica bão, às veiz forrrrçado demai, tanto que nóis perrrrrcebe que ocê não tá seno ocê. Tem que serrrrr ocê memo, ...

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sexta-feira 15/01/16 10:04

Oi, tudo bem?

ilustra

ilustra

Ilustração: Lucas Tonon

Quando alguém perguntar "Oi, tudo bem?" e a resposta for "sim, tudo", acredite, está tudo em ordem. Mesmo. Não vai ter nada de errado. Pior do que não estar bem é estar, precisando ainda por cima ter que convencer o outro de que, de fato, você está tranquilo, numa nice.

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sexta-feira 08/01/16 09:10

Foto 3×4

3x4

3x4

Ilustração: Lucas Tonon

Nunca foi a intenção de ninguém ficar horroroso na carteira de motorista, no crachá do trabalho, ou nas fichas de inscrição de vestibular.  Muito pelo contrário: se dependesse de nós, estaríamos muito mais bonitos nesses lugares. São nossos perfis em forma de papel e nada mais justo que tivéssemos poder sobre eles, inclusive botando lá nossos melhores ângulos, os cliques mais caprichados, com um sorriso sincero, óculos escuros, fazendo biquinho. Tirássemos uma ...

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domingo 13/12/15 12:14

Disfarce

disfarce

disfarce

Ilustração: Lucas Tonon

O bom disfarce é aquele que não precisa ser pedido. Ele sai naturalmente, numa espécie de improviso ensaiado. Precisa, é verdade, de um pouco de vocação. Também de habilidade, timing, malícia, cara de pau. Muita cara de pau. Acima de tudo, cara de pau. Seguindo a cartilha, dificilmente você será descoberto. Ontem deu certo – pelo menos acho que deu.

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Estava passando a pé por um dos terminais de metrô de São Paulo logo cedo.  Caminhava confiante, ao som de “Born to be Wild” nos fones de ouvido. As passadas eram firmes, mas não rápidas. O corpo gingava lentamente, tentando imprimir o ar de malandrão que a música pedia. No semblante, algo inclinado ao blasé, a julgar pela sobrancelha ligeiramente erguida. Tudo parece estar em slowmotion enquanto você passa. Até que, no meio do caminho, tem uma pedra. Um desnível, um degrau, sei lá, qualquer coisa que faz você tropeçar lindamente e mandar para as cucuias todo a atitude de antes.

Se você domina a arte do disfarce, dará um jeito. Após cambalear, vai inventar uma forma de fazer com que aquela acrobacia pareça algo absolutamente proposital. Depois, arrumará ainda o topete, com um sorriso no canto da boca em menosprezo ao pequeno acidente terreno que tentou derrubá-lo. E, dissimulado, seguirá seu caminho,  em câmera lenta mais uma vez, como se nada tivesse acontecido.

A qualquer hora podemos precisar de um disfarce. Nunca dá para prever quando. Por isso, é bom estar sempre preparado, tanto para os fáceis, quanto para os mais complicados de executar. Os mais difíceis são os que precisam convencer pouca gente.  Quando, por exemplo, estamos conversando com alguém, e de repente, não mais que de repente, um perdigoto escapa da boca do interlocutor, voando direto em você. Sorte se pousar na roupa. Azar se for no rosto.  Independentemente de onde parar o projétil salivar, o constrangimento será quase inevitável. Por alguns instantes até impossível de esconder, assim como a vontade de se limpar. Quem consegue agir naturalmente em situações assim está, sem dúvida, em níveis avançadíssimos do curso do disfarce.

É mais ou menos a mesma coisa quando nos deparamos com alguém que ostenta nos dentes da frente resquícios da refeição mais recente (esperamos nós) – uma folha de salsinha, um fiapo de carne, uma casca de feijão. Fica, além do constrangimento, a dificuldade de disfarçar o riso mal educado. Sem falar no impasse: “Aviso?”, “Não aviso?”, ou “Só faço um gesto discreto, apontando meu dedo entre meus próprios dentes?”. Difícil escolher. Mais difícil ainda é conter a risada. Se conseguir, parabéns – você disfarça bem e também tem boa educação.

Mas jamais peça para alguém disfarçar, por mais que seja urgente. As máscaras tenderão a cair. Elas querem ser naturais, ou apenas darem pinta de que são. Pedir o disfarce é denunciá-lo involuntariamente. O disfarçador entregará o ouro, talvez por se sentir descoberto antes mesmo de se camuflar. Será um camaleão laranjado no meio de folhagens verdes. Jamais diga: “Disfarça”. Se disser, vai dar errado. Aí então, você diz: “farsa”.

 

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sexta-feira 20/11/15 18:16

Me desculpa?

dia_e_noite

dia_e_noite

Ilustração: Lucas Tonon

Desculpa, desculpa mesmo. Não foi aquilo que quis dizer. Você entendeu errado. Ou não: entendeu certo. Falei bobagem, sabe como é. Desculpa de novo. Péssima mania de achar que o outro sempre é o problema - ou a raiz dele. Pode acontecer - e isso acontece com bastante frequência - de o problema ser a gente mesmo. Não é você, sou eu. Foi mal.

Desculpa também pela ...

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sábado 14/11/15 10:19

Reze menos

Muita gente usou a internet ontem para repudiar os ataques terroristas que mataram centenas de pessoas em Paris, na França. Uma parte suplicava pela paz. Outra parte manifestava indignação. Outra protestava contra a suposta desatenção dada pelas pessoas à tragédia de Mariana. E uma última parte pedia oração. "Rezem por Paris" "Orem". "Pray to Paris". Clamar pela paz é justo. Mostrar-se indignado também. O que não dá é vir com essa de que nos esquecemos do que aconteceu em Minas Gerais. Como ...

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sexta-feira 30/10/15 08:58

Por que a gente se decepciona?

expectativa

expectativa

Ilustração: Lucas Tonon

Era dia de amigo secreto e lá ia eu, sorrindo com o presente no colo e um par de certezas na cabeça. A primeira, de que a justiça sempre haveria de ser feita. A segunda, que a generosidade era uma via de mão dupla. Descobriria, pouco depois, que nada disso é verdade, ao violar o papel do presente que, se tivesse sorte, alguém me ...

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sexta-feira 16/10/15 08:21

Com que moral?

cunha__dilma

cunha__dilmaIlustração: Lucas Tonon

Tem uma frase bíblica mais ou menos assim: “Quem nunca errou, que atire a primeira pedra”. O autor foi Jesus ao se deparar com uma mulher prestes a ser alvejada por um grupo de pessoas que a acusava de chifrar o marido. Ela saiu ilesa, mas por sorte. Se Eduardo Cunha estivesse lá, jogaria logo umas duas de uma vez, provando a todos, por ...

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