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Quem Faz

Nascido em Araras (SP), o jornalista RICARDO CHAPOLA escreve crônicas desde 2008. Gosta de se apresentar como jornalista e cronista, não necessariamente nessa ordem.
quinta-feira 27/11/14 06:00

(Des) conectados

Macaquinhos

Macaquinhos

 Ilustração: Felipe Blanco

Uma gostosa passou pelada na calçada sem ser percebida. As pessoas só ficaram sabendo um dia depois, quando viram a notícia pelo celular. Os héteros solteiros – e alguns casados – lamentaram ter perdido a cena. Estavam jogando Candy Crush na hora H.   O amor tomou o ônibus, mas sequer foi notado. A moça estava tagarelando com a amiga pelo Whatsapp, enquanto o rapaz coçava a ...

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quinta-feira 20/11/14 22:25

Óculos e curtição

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Ilustração: Felipe Blanco

Economistas moderninhos suspeitam que os jovens passaram a comprar mais óculos escuros depois da criação do Instagram, em 2010. De lá para cá, a timeline dos membros da comunidade científica viveu infestada de selfies de periguetes de Ray-Ban mandando beijinho.   Outra parte dos estudiosos acha, pra variar, que é reflexo do aquecimento global: uma maior incidência de raios ultravioleta seria capaz de elevar os níveis do ...

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quarta-feira 12/11/14 15:49

Banheiro masculino

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Ilustração: Felipe Blanco

  Um cidadão entra louco de vontade de mijar no banheiro da firma. Sem nenhuma cerimônia, escolhe o mictório do meio, deixando dois vagos em cada um de seus lados. Outro cidadão chega logo atrás, também muito apertado, já desabotoando as calças. Decide pelo urinol vizinho ao do primeiro rapaz. Ambos terminam suas necessidades sorrindo – não se sabe se de alívio, ou se pela piada que um ...

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quinta-feira 06/11/14 12:49

Gripe

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Ilustração: Felipe Blanco

Gente, tuto pem? Por aqui, bais ou benos. Bais pra benos, do que pra bais, cobo potem fer. É que tô cripado. Cripe das pravas, sape? Pensei até em dão escrefer, pas sempre achei a cripe um botivo buito fraco pra derrupar os ímpetos hubados. Agora, tepois tos 25, acho que dão acho pais.

 

Aliás, be tesculpem em estar escrevento assim. Foi o jeito que encontrei te fazer a cripe te um crodista ter alcum sentito pro munto. A te Frank Sinatra punia seus fãs com o silêncio, pelo que conta Cay Talese quanto flacrou o cantor toente do palcão te um par em Pervely Hills:

 

“Frank Sinatra, segurando um copo de bourbon numa mão e um cigarro na outra, estava num canto escuro do balcão entre duas loiras atraentes, mas já um tanto passadas, que esperavam ouvir alguma palavra dele. Mas ele não dizia nada”, tiz o escritor norte abericado que, pelo texto, parecia estar são. Percepam tampém a formusura inabaláfel de Sinatra, que dem em silêncio, dem com o dariz escorrendo ficeram o bulherio sair to seu pé.

 

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Trocar N por B, B por P, D por T dão be parece tão charboso, bas pelo benos é sincero. A tentência é até surtir o efeito inferso, se focê é to tipo que tepente te apedas um predicato pessoal para obter sucesso da vita. Não era o caso te Frank Sinatra. Pas é o te outros meros citatãos, cujo silêncio dão faz a bedor tiferença.

 

Tem gente que precisa falar, besbo que para isso a gente refele o dosso pior. A foz atolada do catarro, o dariz escorrento, o dariz entupito, o parulho to dariz entupito, as marquinhas úbitas to dariz escorrento. Quanto estou cripado, emitindo ruídos enferbos, há quem se arrisque em banter contato comico, facendo reacender em mim uma faculha de esperança de que a cripe dão be teixa tão repugdante. Tepois passa. Passa bais rápido ainta quanto são bulheres: sempre teixo suas pochechas bais bolhadas to que costaria ao sautá-las com um peijo. Amicas cariocas: é um peijo porque não quero sujar bais vocês, tá?

 

Gente, estou ficanto com um pouco te falta te ar. Fou timinuir os períotos. Assim. Fraces curtas. Isso. Estou cansato te estar toente. Dorbir dão dá. Já tentei: te lato, entope uba darina. De barrica pra ciba, as tuas. Dão posso peper um pourpoun, cerveja, vinho, dem data.  Dão posso banifestar beu carinho pelas pessoas, sem papar sopre elas. Seria belhor ficar quieto besmo, assoanto beu dariz enquanto leio Talese, que, por sorte, dunca teve essa binha iteia. Opricato, Cay. Tesculpa, gente.

 

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quinta-feira 30/10/14 09:17

A eleição e a paz

maos

Participei de alguns atos das chamadas Jornadas de Junho no ano passado, protestando pelo mesmo que os coxinhas, os croquetes, os risoles e as bolinhas de queijo. Vi amigos petistas dando as mãos a amigos tucanos, todos cansados de tudo aquilo que estava aí. Aqui, naquela época, tínhamos Alckmin, como agora, e Dilma, como agora.  

Ilustração: Felipe Blanco

Pouca coisa mudou desde a última vez que o ...

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quinta-feira 23/10/14 08:45

Água santa

chuva2 (1)

Ilustração: Felipe Blanco

São Pedro e São Paulo num boteco, lavando roupa suja:   - Desembucha, Paulão: o que tá pegando? Nem me venha com história sobre chuva que disso eu também estou por aqui.   - Pois é, Pedro. No começo era só um trololó qualquer, mas agora o problema tá lá, dentro de casa, acometendo toda torneira que vê pela frente. Sabe há quanto tempo que meu pessoal não consegue ...

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quinta-feira 09/10/14 01:06

Olho de sogra

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Ilustração: Felipe Blanco

Tem coisa que não se diz para os sogros. Tipo: eu não disse que quero ser escritor. Disse ser jornalista, o que na prática não muda muita coisa. A vida vai ser foda do mesmo jeito. Mas isso eu também não contei a eles.   Também não falei "foda". Evito palavrões ao máximo que posso, apesar de isso ser o mais foda, para um boca suja de ...

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quinta-feira 25/09/14 08:59

MIS

Doutor Abobrinha

Nós, subscritos neste documento, não temos nada contra os moradores do Jardim Europa. Até temos divergências, grande parte delas sócio-econômicas, mas pela garantia da causa atual, vamos tratá-las hoje como resignações. Aceitaremos a ostentação da riqueza a cada esquina. Nos conformaremos com mansões, carros importados, chofer, coisas que não pertencem à realidade de gente diferenciada como a gente. Não protestaremos contra nada disso. Esperávamos só alguma coisa em troca, ou apenas que nos deixassem ser felizes comendo cachorro quente na ...

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quinta-feira 18/09/14 01:35

Ciclofaixa

Ciclovia

Ilustração: Felipe Blanco

- Amor, onde você vai de mochila? - perguntei, acostumado a vê-la só de bolsa em suas andanças.   - Hoje vou pro trabalho a pé. É semana da mobilidade urbana.   Fechou a porta e saiu, sorrindo não sei se feliz com o beijo de despedida, ou se pela satisfação de tirar um carro da rua. O melhor dos mundos seria se fosse pelas duas coisas juntas.   Sempre quando ...

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