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Contar calorias não é a melhor estratégia para emagrecer, diz nutricionista

Ana Paula Scinocca

09 julho 2014 | 14:52

Já se foi o tempo em que para emagrecer os nutricionistas receitavam uma dieta focada na quantidade de calorias a ser consumida por dia.  ” A ciência da nutrição vai muito além da contagem de calorias. Precisamos observar a saúde do paciente como um todo, desequilíbrios estruturais e hormonais, saúde intestinal, alterações imunológicas e interação corpo-mente”, afirma a nutricionista clínica e esportiva Dania Sánchez Flores. “O corpo humano não funciona de uma forma tão simples. E nem sempre comer menos resulta em uma queima maior de gorduras”, acrescenta.

A pedido do blog, Dania respondeu, por email, as perguntas relacionadas abaixo:

Por que hoje em dia se fala que as dietas que contam calorias estão ultrapassadas?

Colocamos isso pois é preciso verificar o equilíbrio nutricional do paciente e a biodisponibilidade dos nutrientes. A ciência da nutrição vai muito além da contagem de calorias. Como profissionais da área, precisamos observar a saúde do paciente como um todo, desequilíbrios estruturais e hormonais, saúde intestinal (pois hoje sabemos que pessoas obesas tem uma microbiota intestinal inadequada, desequilíbrio que tem como consequência uma maior capacidade de obtenção de energia a partir dos alimentos), verificar alterações imunológicas e sua interação corpo-mente.Diversos fatores que irão influenciar nos resultados estéticos e de saúde.

 

Consumir 100 calorias de um doce e 100 calorias de uma fruta, por exemplo, é completamente diferente. Ainda que o uso das calorias esteja ultrapassado, se uma pessoa ingerir mais do que gasta vai engordar, não?

Não necessariamente. Se pensarmos em calorias 1 ml/g de gordura tem 9 quilocalorias. e 1ml/g de carboidrato ou proteína tem 4 quilocalorias apenas. Mas diversos estudos têm comprovado que uma dieta de baixa gordura e rica em carboidratos não é a melhor opção na prevenção da obesidade, doenças cardiovasculares e câncer, por exemplo. Desta forma, incluir na alimentação óleo de peixe, azeite de oliva, castanhas, abacate e ovos pode ser interessante para o emagrecimento. O corpo humano não funciona de uma forma tão simples. E nem sempre comer menos resulta em uma queima maior de gorduras.  Por isso, precisamos aprender a comer melhor, principalmente alimentos nutritivos e que proporcionem maior saciedade. Optar por uma alimentação o mais próximo possível de como a natureza nos entrega. Alimentos que não desencadeiem picos elevados de insulina (evitar carboidratos de alta e média carga glicêmica como biscoitos, salgadinhos, doces, adoçantes, alimentos industrializados de forma geral).

 

Muitos nutricionistas falam que o importante é levar em conta a densidade nutricional dos alimentos. Mas para as pessoas comuns, leigas, e que não fizeram curso de Nutrição, contar calorias pode ser mais simples, não?

A minha recomendação para as pessoas leigas será também a de evitar a contagem de calorias, e seguir algumas dicas como:

  • Prestar mais atenção ao lugar onde fazem as compras. Optar por feiras (de preferencia orgânicas), pois estes alimentos são isentos de medicamentos, substâncias tóxicas que engordam e aumentam a produção de radicais livres, aumentando o risco de câncer e doenças autoimunes. Além disso, os alimentos orgânicos são muito mais saborosos e nutritivos.
  • Evitar o consumo de alimentos industrializados de forma geral e produtos light e diet, pois como já mencionado possuem vários conservantes e substâncias como o glutamato monossódico, aminoácido capaz de realçar sabores. Porém, é também relacionado com vício e compulsão alimentar e danos cerebrais no hipotálamo.
  • Uma boa noite de sono também pode ajudar. Durante o sono são liberados vários hormônios que ajudam tanto no ganho de massa muscular como no emagrecimento e qualidade de vida.
  • Aumentar o consumo de frutas e verduras a pelo menos 5 porções diárias, confirmado em um estudo publicado este ano por especialistas do University College London, onde eles recomendam o consumo de 5 para 7 porções ao dia. A pesquisa analisou 65.000 registros alimentares de pessoas e revelou após 8 anos de pesquisa que quanto maior o consumo de frutas e vegetais frescos, menor o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, AVC acidente vascular cerebral e câncer. (OYEBODE, 2014)
  • A procura por um acompanhamento profissional personalizado pode ser um investimento barato, uma forma de prevenção tanto de doenças como longos tratamentos paliativos que levam a desgaste físico, emocional e muitas vezes a custos econômicos não programados.

 

Tem sido muito defendida a prática de HIIT ao invés de aeróbios de longa duração para perda de gordura. Mas quando uma pessoa jaca e come mais pizza do que deveria… Dar uma corridinha para queimar os exageros ainda não é uma bela e antiga receita para não engordar?

Não. É o que os estudos têm confirmado. A melhor estratégia para queima de gordura é a combinação de musculação + o famoso HIIT (exercícios intervalados de alta intensidade). Mas para fazer isso recomendo a procura por orientação de um educador físico, profissional que irá avaliar todas as variáveis do treino (como intensidade, cargas, tipos e outros fatores) necessárias para evitar fraturas ou desgaste articular e potencializar resultados.

A dieta para redução de peso e perda de gordura requer uma alimentação regrada de segunda a segunda? Ou existe espaço para alguma refeição ou dia livre?

Com meus colegas no Instituto Alimente, utilizamos a estratégia de liberar duas refeições por semana, ou seja, uma forma de RECOMPENSA, e não de jaca, onde a pessoa pode optar por refeições saudáveis como (tapiocas, cuscuz, preparações sem glúten e lactose, carnes magras, consumo de tubérculos e outros alimentos) de uma forma  mais livre. A única sugestão é a de não exagerar nas quantidades ao ponto de passar mal e evitar alimentos que trazem desconfortos ou são prejudiciais para sua saúde (isso irá depender de cada pessoa). “O que é comida para um, é para outros amargo veneno” Lucrecius.

Como fazer dieta e ter uma vida social feliz?

Encarando a alimentação saudável como um estilo de vida (mudança de hábitos alimentares) e não como uma dieta restritiva, algo chato que precisamos fazer para emagrecer. Mudar hábitos alimentares significa consumir alimentos que acrescentem nutrientes, energia, e porque não alegria ao corpo, e deixar de consumir outros que podem prejudicar o bom funcionamento do nosso organismo. Para isso, preciso comer bem quando estou em casa, na rua, férias, ou seja, em todo momento. Sempre falo para os meus pacientes que eles podem fazer uma ou outra transgressão na rotina alimentar, mas não vale culpar ou outros da sua responsabilidade, da sua decisão. Pois dou as ferramentas, o conhecimento do que faz bem e do que faz mal, a escolha faz parte do processo, sendo perfeitamente possível comer bem e manter uma vida social feliz.

Muitas mulheres escolhem corpos de mulheres famosas como modelo. “Quero ser magra como a Fernanda Lima” e “Meu sonho é ter o corpo da Gabriela Pugliesi” são frases comuns ouvidas em corredores de academias. É possível escolher uma modelo como meta? Ou cada um tem respeitar seu corpo e sua genética e procurar melhor dentro dos seus padrões?

Infelizmente muitas pessoas precisam de um modelo a seguir e muitas vezes são influencias  de pessoas despreparadas ou sem formação acadêmica, mídia ou grandes empresas que perseguem apenas lucros como meio de promoção. Alguém aqui acredita que a Xuxa usa Monange? Pois é, da mesma forma que eu não acredito em fórmulas mágicas ou que preciso ter o corpo esquelético para ser feliz e saudável. Almejar o corpo magro (de uma outra pessoa) ou utilizar todos os suplementos, alimentos, medicamentos que a fulana promove, achar que são as horas a fio de atividade física diárias ou que outras estratégias de “merchandising” são as chaves para o emagrecimento é muita ingenuidade e uma falta grave de amor próprio. Adotar um estilo de vida saudável é a minha dica. Procurar a orientação individualizada com a finalidade de um RESULTADO SUSTENTÀVEL, não apenas estético (evitar o famoso efeito sanfona), mas também saúde e como consequência qualidade de vida e benefícios estéticos.

Ter uma vida saudável é se alimentar bem e malhar quantas vezes por semana?

Adotar um estilo de vida saudável sempre e levar isso para o ambiente familiar, de trabalho, ou seja, no convício social nas diferentes esferas de relacionamento. Uma alimentação adequada, rica em nutrientes, faz com que nosso organismo funcione bem, pense bem, aprenda melhor, tenha mais concentração. Como sabemos mudar hábitos não é uma coisa fácil, e pequenas atitudes (todos os dias) e não grandes transformações são as que farão diferença no futuro. Então a dica é a seguinte: Procure um bom profissional (nutricionista) que poderá lhe auxiliar no processo de reeducação alimentar e um (educador físico) que possa avaliar a melhor estratégia de exercícios físicos para o emagrecimento, personalizando o acompanhamento.

 

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