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Alimentação pré-treino

Ana Gabriela Verotti - O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2014 | 06h 00

Praticar atividade física em jejum pode prejudicar o organismo

Há quem goste de ir à academia sem ingerir nenhum alimento antes do treino. A ideia principal por trás de fazer exercícios em jejum é que, já que a pessoa passou muito tempo sem se alimentar, seu organismo já consumiu a principal energia, do glicogênio muscular - o que, teoricamente, faz com que o corpo recorra à gordura para queimar durante as atividades.

O problema desta prática é que, além de perder gordura, a pessoa também perde uma quantidade maior de massa muscular. “Não é tão simples assim que ‘já que não tem outra fonte de energia, eu vou usar a gordura e vou emagrecer’. Esse processo não é tão rápido quanto a energia do glicogênio muscular”, explica o professor de Educação Física Gabriel Signorelli, em entrevista ao programa Rota Saudável da Rádio Estadão.
A prática tende a debilitar o organismo, especialmente os sistemas muscular e endócrino, e apesar de não ser o melhor benefício que a atividade física traz, pode até ajudar pessoas que procuram um resultado rápido a perderem peso. 
O contraponto é a falta de energia rápida, que a pessoa pode precisar. “Se a pessoa que está sem condicionamento começar a fazer isso, a chance de ela não conseguir suportar aquela atividade é muito grande. Então ela vai passar mal, não vai conseguir sustentar a atividade e pode ter problemas de saúde”, comenta Signorelli. 
Antes do treino, o ideal é ter uma ingestão rápida de algum carboidrato. “Não pode ser nada muito pesado, e um nutricionista pode balancear melhor dependendo do tempo antes da atividade e das quantidades para o seu peso”, adiciona o professor. Proteínas são indicadas no pós-treino. 
Para quem busca a redução de peso mas exagera aos fins de semana, aumentar a carga de treino pode até funcionar na balança calórica, mas vai ser difícil de aguentar: “você tem que estar com as articulações preparadas para fazer isso. Qualquer alteração muito brusca na sua atividade física ou na sua alimentação também devem ser ponderadas em relação ao que se pode sofrer de consequência”, diz. 
O professor alerta que quem intensificar a carga de exercícios sem ter se alimentado durante o dia provavelmente terá um problema no sistema imunológico, já que vai aumentar a demanda de nutrientes sem ao menos fornecê-los. 
Pessoas que vão em jejum para a academia acabam passando mal, de hipoglicemia. Em casos extremos, podem ocorrer desmaios - um meio que o organismo encontra para alertar que não há energia suficiente para realizar as funções vitais do corpo. 
Signorelli ainda lembra que não é necessário se privar de comer chocolate ou de dividir uma pizza com os amigos, contanto que estas práticas não se tornem rotineiras. “Tem uma frase que eu gosto e que diz: 'eu viveria até os 100 anos se deixasse de fazer as coisas que me fazem querer viver até os 100 anos'”, completa.