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Muay thai sem olho roxo

Rodolfo Almeida - O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 06h 00

Modalidade de exercício mistura luta com aeróbica, sem contato físico

Na hora de escolher uma atividade física, é comum cogitar artes marciais pelo alto gasto calórico promovido. Porém, nem todo mundo está disposto a arriscar a eventual contusão que os exercícios de contato podem causar. Uma academia paulista desenvolveu o performance thai, uma modalidade de exercício que combina o esforço físico da tradicional luta tailandesa muay thai, com o condicionamento de exercícios funcionais – sem contato físico.

“Muita gente procura a luta querendo ter o condicionamento de um atleta, mas não quer se machucar ou não gosta de esportes de contato”, afirma Ivan Albuquerque, professor da modalidade da academia Pretorian, em São Paulo. “Assim fizemos uma rotina de exercícios que une movimentos integrados do corpo com os fundamentos básicos da luta, permitindo trabalhar os músculos do corpo sem precisar, de fato, lutar.”

Para evitar o contato físico, a solução do performance thai foi substituir os golpes trocados entre atletas por socos diretos e joelhadas em sacos de pancada, além de vários tipos de abdominais, agachamentos e exercícios aeróbicos. “Elásticos funcionais, fitas de suspensão, bolas de equilíbrio e o auxílio do professor munido de aparadores são alguns dos equipamentos que usamos, sempre tendo como foco não o contato dos golpes, mas sim os movimentos corporais realizados”, diz o professor.

Com sessões de 60 minutos e um gasto calórico de 800 a 1.200 calorias por aula, a modalidade é organizada em sequências velozes de pulos, corridas e exercícios intensos realizados em repetições de 20 a 25 vezes, sem descanso – ou melhor, com abdominais servindo como descanso entre uma série e outra. “A intenção é manter o ritmo cardíaco elevado e um alto gasto calórico constante, com um treino dinâmico e global que trabalha todo o corpo, e por isso as abdominais amarram as séries sem esfriar o corpo”, explica Albuquerque.

O foco de desenvolvimento da modalidade é a área chamada “core” do corpo: os abdominais, quadril e lombar. Segundo o professor, “o 'core' é o elo mais forte do nosso corpo. Com esses músculos fortificados, você tem mais facilidade para trabalhar os braços e as pernas, evitando um desequilíbrio no condicionamento do corpo.”

Criada pelo tricampeão brasileiro de muay thai Ery Silva, a aula tinha o nome de funcional thai antes de ser rebatizada com o nome atual. Indicado por todas as idades, o exercício atende diferentes objetivos, tanto a perda de peso quanto o desenvolvimento de músculos – com as devidas restrições e acompanhamento. “Temos desde crianças de oito anos até pessoas de sessenta anos praticando o esporte. Cada um no seu ritmo, conseguimos fazer um treino para todas as idades”, conclui Albuquerque.