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Avenida Paulista abrigará Casa do Japão

- Atualizado: 05 Março 2016 | 22h 00

Espaço assinado por Kengo Kuma será dedicado à cultura japonesa

A Casa do Japão, projeto de Kengo Kuma, a ser implantado na Avenida Paulista

A Casa do Japão, projeto de Kengo Kuma, a ser implantado na Avenida Paulista

Quando estiver em funcionamento, em março de 2017, a Casa do Japão de São Paulo, dificilmente passará despercebida diante de uma localização tão emblemática – no começo da Avenida Paulista, na frente da Casa das Rosas – e de uma arquitetura não menos peculiar, que leva a assinatura do celebrado Kengo Kuma.

“Queremos propor ao público uma viagem ao Japão contemporâneo. E não vamos poupar esforços nesse sentido”, afirma outra das figuras de ponta do projeto, o designer Kenya Hara. A ele caberá a direção artística do espaço e sua condução conceitual. “Existe um Japão ainda desconhecido da maioria dos brasileiros. Um Japão assentado em suas raízes, que vive o presente, mas mira o futuro. Será esse o nosso foco.”

Com 2500 m², o mais novo endereço nipônico da cidade vai contar com três andares, uma praça interna – devidamente adornada com um jardim –, um espaço multiuso com capacidade para até 150 pessoas, além de uma biblioteca que vai propor leituras relacionadas à cultura japonesa. Não existirão paredes fixas separando os ambientes. O partido adotado por Kuma, na melhor tradição japonesa, toma como essenciais a abertura e a facilidade de comunicação entre os espaços. 

Casa do Japão
Divulgação
Casa do Japão

O projeto da biblioteca da instituição

Grandes portas deslizantes, típicas da secular arquitetura japonesa, estarão presentes. Mas serão apresentadas com uma roupagem completamente contemporânea, com base em lâminas de alumínio envoltas em papel. Poderão delimitar ambientes, quando fechadas, ou criar espaços mais amplos, se mantidas abertas. “Em um país onde o espaço é um bem raro, a flexibilidade na hora de ocupá-lo é absolutamente essencial”, destaca Hara.

O designer lembra que a posição das portas indica, ainda, se é possível entrar ou não em determinado ambiente. “É uma forma de comunicação indireta e silenciosa, bastante valorizada pela nosso cultura”, acrescenta ele, também responsável pela programação da casa, que pretende abordar uma ampla gama de temas.

“Cultura, moda, gastronomia, história, negócios, design, robótica, engenharia, inovação urbana, mobilidade. Tudo, enfim, o que se relacione à capacidade japonesa de inovar”, adianta Hara, que mantém um escritório de design em Tóquio que funciona no sentido estrito do termo, mas também se permite desenvolver propostas mais ousadas, com base em suas observações da sociedade.

“Tudo está mudando e o significado e o papel do design vão sofrer mudanças drásticas também. Trabalhamos em todos os meios e campos possíveis. Design gráfico, arquitetura, produtos, criação de sites e livros, curadoria de exposições. Tudo nos interessa”, afirma o designer, que traz no currículo memoráveis exposições, como Re-design, produtos de uso diário para o século 21, de 2011, e a insólita Arquitetura para Cães, de 2012.

“Creio que o que mais surpreendeu o público, foi que a exposição não era um trabalho sobre canis, mas propunha uma arquitetura real e viável, projetada para cães”, afirma. “Nós, humanos, temos recriado o ambiente externo em nosso próprio benefício. Até então, tudo o que tinha sido feito para os cães estava sob uma perspectiva centrada nos seres humanos. Não foi esse o caso”, pontua.

Apresentada com sucesso no Japão e depois nos Estados Unidos, Arquitetura para Cães teve como ponto de partida a ideia de conclamar arquitetos a projetar moradias para cães, com base em informações detalhadas sobre o tamanho, hábitos e idiossincrasias de cada raça. Paralelamente, os projetos foram disponibilizados em um site para que pessoas de todo o mundo pudessem reproduzi-los.

“Eu acho a cena contemporânea japonesa bastante fértil. O crescimento supersônico passou e voltamos nossa atenção para as pequenas – mas não menores – necessidades diárias. Nosso pequeno espaço vital nos permite olhar para as coisas em detalhes, o que nos impõe uma dignidade modesta”, diz. Simplicidade e humildade. É esse, segundo Hara, o sustento cultural que está por trás das contribuições japonesas para a arquitetura e o design globais. “E a Casa do Japão será um exemplo vivo disso”, conclui

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