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Entrevista. Maria Fernanda Paes de Barros

A designer Maria Fernanda Paes de Barros explica o conceito por trás de sua nova marca, a Yankatu

Designer propõe móveis com 'alma'

A designer Maria Fernanda Paes de Barros

A designer Maria Fernanda Paes de Barros

Desde os tempos em que trabalhava com decoração, sempre interessou à designer Maria Fernanda Paes de Barros contar a história de seu clientes por meio dos interiores que projetava. “Assim, quando migrei para o design de mobiliário, decidi que minhas peças teriam de carregar consigo as histórias que lhes deram origem”, conta ela, hoje à frente da Yankatu, movelaria que se propõe a atuar em parceria com artesãos brasileiros, preservando suas práticas e memórias. “Nossos móveis misturam técnicas rudimentares e alta tecnologia. Quero estabelecer uma ponte entre o ‘Brasil feito à mão’ e o mercado. Traçar uma costura invisível entre o tecnológico e o artesanal, fazendo de cada móvel uma peça única”, disse nesta entrevista ao Casa. 

Explique o conceito de “alma” aplicado aos móveis produzidos pela Yankatu.

A ideia de “alma” surgiu da minha necessidade de contar histórias e do meu desejo de despertar o interesse das pessoas pelo que acontece antes de o móvel ficar pronto, pois acredito que dessa maneira elas passem a admirá-lo de outra forma. Procurei estabelecer uma interação entre o móvel e seu dono, de duas maneiras: a primeira, despertando no cliente a curiosidade sobre o trabalho artesanal. A segunda, dotando os móveis de um pequeno livro em branco, que resolvi batizar de “alma”, para acompanhar a trajetória de cada produto, o incentivando a continuar contando a história da peça, a partir do momento em que ela passou a fazer parte da vida dele.

A designer Maria Fernanda Paes de Barros

A designer Maria Fernanda Paes de Barros

Como conectar o artesanal e o tecnológico?

Busco no trabalho e nas histórias de vida dos artesãos a inspiração para criar as minha peças. Não me imponho regras. Sou levada pelo que me toca, pelo que desperta em mim o desejo de criar algo que possa de alguma forma incorporar aquele trabalho. O “link” entre o artesanal e o tecnológico se dá ao longo do desenvolvimento de cada produto. Um exemplo disso é a coleção Memórias, na qual uno o trabalho de usinagem controlada por computador a técnicas de tecelagem manuais, executadas com fios de algodão.

Os móveis Yankatu se pretendem além de modismos. Nesse sentido, o que considera ser essencial para uma peça permanecer atual?

Acredito que, para um móvel permanecer atual ao longo do tempo, não basta que ele tenha um design atemporal, mas que, fundamentalmente, faça sentido para a pessoa que o possui. Em outras palavras, que ele carregue consigo um valor não apenas estético e funcional mas, principalmente, emocional e simbólico. Daí a ideia da “alma” associada a cada móvel. Por meio desse conceito, inspirada pela cultura indígena, pretendo fazer com que a peça deixe de ser descartável e passe a fazer parte da história de cada família, passando de geração em geração. Afinal, quem não gostaria de ter em casa um móvel que pertenceu a seus pais ou avós? Que traga os momentos mais importantes de seu passado gravados em sua “alma”?

Detalhe dos puxadores de miçanga do bufê Tribos

Detalhe dos puxadores de miçanga do bufê Tribos

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