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Entrevista. Nada se Leva

Espuma, coleção apresentada pelo estúdio na Firma Casa, em São Paulo, surpreende pela sofisticação

Do serralheiro ao lojista

Marcelo Lima

15 Junho 2014 | 08h 00

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Os designers Gulherme Leite e Andre Bastos do estúdio Nada se Leva

De um lado, a espuma, fluida e impermanente. Do outro, o metal soldado, tão sólido e perene a ponto de parecer eterno. É essa talvez a principal questão, mas não a única, explicitada pela coleção Espuma, lançada pelo estúdio Nada se Leva, de André Bastos e Guilherme Leite, na semana passada, na Firma Casa, em São Paulo.

Mesas baixas, prateleiras, aparadores e espelhos criados para estar juntos. “Certo que as peças se seguram separadamente, mas ganham maior força quando trabalham em conjunto”, afirma Leite. Uma imagem que bem ilustra a preocupação da dupla em franquear ao máximo o acesso a seu design. “Tem de ser um bom negócio para todos”, pontuou Bastos, nessa entrevista ao Casa.

Como se estruturou a coleção?

Guilherme Leite: Do ponto de vista construtivo, em torno de formas geométricas bastante simples, de fácil construção. Círculos e cilindros que pudessem interagir entre si, que se interpenetrassem, dando origem a composições personalizadas, ou até acidentais. Um pouco como acontece à beira-mar, quando as ondas recuam. Sou carioca, o André é gaúcho, mas para nós dois a praia sempre foi uma referência muito presente.

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Mesa da coleção Espuma do estúdio Nada se Leva

O latão é o material de maior destaque na coleção. Por que a escolha?

André Bastos: Por diversas razões. Primeiro que sempre tivemos a intenção de trabalhar com o material, mesmo antes de ele entrar, digamos, na moda. Além da gama de texturas – do ultrapolido ao envelhecido –, existe algo nele que transcende a ideia de tempo. De fato, é difícil precisar exatamente quando determinada peça de latão foi fabricada. A julgar pelo visual, essa coleção poderia ter sido feita na década de 1950 ou de 1970, mas não foi. Foi feita hoje. É um dado interessante.

L: Também porque encontramos um serralheiro especializado na manipulação do material que foi fundamental para que chegássemos ao resultado pretendido. Ao contrário do que parece, o latão é um material maleável, mas de soldagem delicada, de modo que parafusar as partes foi a única solução possível em determinadas junções. E ele nos ajudou muito nisso.

A preocupação em ampliar ao máximo o acesso aos produtos, foi outro dado considerado no projeto. Como isso se deu?

Sim. Embora entendamos perfeitamente as motivações de quem produz em tiragem limitada, não é essa exatamente a ideia que pretendemos propagar com nosso design. Por isso, dessa vez, resolvemos abrir mão de comercializar a coleção – assumindo os custos de produção e depois revendendo as peças para o lojista – e optamos apenas por vender o projeto. É a Firma Casa quem adquire os móveis direto do produtor, os produz sob encomenda e nos remunera a partir de suas vendas. Assim, conseguimos baixar consideravelmente os custos – peças da coleção custam a partir de R$ 1.400 – e o negócio passou a ser interessante para todos: do serralheiro ao lojista.

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Suporte de parede da coleção Espuma do estúdio Nada se Leva