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Entrevista. Ricardo Gaioso

Diretor criativo da galeria Prototyp& fala sobre os desafios do jovem design nacional

Licença poética

Marcelo Lima

05 Julho 2014 | 22h 00

Divulgação
Ricardo Gaioso, diretor criativo da galeria Prototyp&

 

Tendo crescido em meio a móveis convencionais, Ricardo Gaioso sempre quis fugir ao óbvio. Foi quando mergulhou, ainda na adolescência, no mundo encantado dos sites internacionais e decidiu criar seu próprio blog de design, O Pequi. “Me apaixonei pela forma como tudo era apresentado. Pelo lifestyle que vinha acoplado à cada peça.” E foi assim que, após graduar-se em jornalismo, Gaioso decidiu estudar arte e design em Paris, de onde voltou decidido a colocar suas ideias em prática. Entre elas, a de trabalhar junto a jovens designers em busca de uma maior inserção no mercado. Tarefa que ele vem desempenhando há um ano como diretor criativo da galeria Prototyp&, do designer Felipe Protti e, sobre a qual, ele falou ao Casa.

Você acredita mais em um design brasileiro, com características próprias ou em um design contemporâneo – e universal – produzido no Brasil?

Em tempos de globalização, é muito ingênuo se valer de uma única essência. Acredito que a criação no Brasil, que por definição nasce da mistura de influências, deve encontrar sua expressão através da visão de cada designer. Seja ela formada por materiais e técnicas de uma região específica ou mesmo pinçada em suas viagens mundo afora. Acho que os criadores têm licença poética para expressar suas verdades em seus trabalhos, mais do que a obrigação de seguir uma orientação geopolítica. Existe design escandinavo (entenda-se minimalista) sendo feito no Japão, assim como o design holandês conversa com criadores brasileiros como os Irmãos Campana e Rodrigo Almeida. 

Comunicar, veicular sua produção, é essencial para jovens designers em início de carreira. Você acredita que os daqui estão aptos para a tarefa? 

A nova geração entra no mercado com uma noção estética mais apurada. Mais consciente do poder das mídias sociais. Finalmente, começam a sair de cena as fotos caseiras. Com isso, as campanhas editoriais estão mais profissionais, contam mais histórias, têm maior apelo. 

Do ponto de vista estético, você acredita que o design de interiores caminha mais para o minimalismo ou para o acúmulo?

Acredito em consumo inteligente. Uma peça-chave vale mais que mil quinquilharias. Daí a importância crescente do invólucro, dos revestimentos e técnicas que, quando bem aplicados, preenchem, envolvem os interiores, eliminando aquela sensação de ‘está faltando alguma coisa’. Somem-se a eles móveis com propriedade intelectual, memorabilia afetiva, arte contemporânea e algumas plantas. Assim, se completa o ciclo do morar bem.