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Entrevista.

Marcelo Vasconcellos e Alberto Vicente falam sobre a mostra Modernos/Contemporâneos

Retrato bruto

Marcelo Lima

28 Junho 2014 | 22h 02

Divulgação
Vista geral da Exposição Modernos/Contemporâneos

 

O local escolhido para sediar a mostra, a Galeria Bolsa de Arte, em São Paulo, não deixa maiores dúvidas sobre as intenções da curadoria. “Queríamos mesmo provocar os designers a se relacionar com o ambiente das artes, assim como incitar o público a reconhecer a expressão autoral presente em muitos de nossos móveis”, desafia o carioca Marcelo Vasconcellos, que divide com o sócio Alberto Vicente a curadoria de Modernos/Contemporâneos. Em cartaz até 29 de julho, a exposição se propõe a oferecer um olhar menos óbvio da atual cena do design nacional. “É com satisfação que constatamos que organizar uma mostra como essa no Brasil de hoje não é nada fácil. Contamos com um leque generoso de nomes e com trabalhos muito consistentes. A tarefa foi árdua”, declarou Vicente em entrevista ao Casa.

Vocês afirmaram que o critério que norteia a mostra é apresentar a cena atual do design de uma forma menos óbvia. Como isso acontece?

Marcelo Vasconcellos: Procuramos selecionar peças vintage pouco ou quase nunca exibidas, assim como contemporâneas de pequena tiragem. O vintage representa a fase dourada do design nacional, relacionada à arquitetura moderna. Existem verdadeiras obras de arte desse período e não me surpreende que muitas delas sejam hoje disputadas em todo o mundo. No caso dos contemporâneos, privilegiamos designers que trabalham dentro de uma lógica próxima do universo da arte, experimentando técnicas e materiais e não diretamente sob demanda da indústria.

Alberto Vicente: O interesse da Bolsa de Arte, uma das mais influentes galerias do País no segmento de arte brasileira, sinaliza o amadurecimento de um consumidor que relaciona design e arte. Nossa seleção buscou dar luz a esse aspecto, inerente ao design hoje, contrapondo as duas fases – nosso passado e nosso presente.

A mostra traz peças dos dois períodos, abolindo uma organização cronológica. Com qual objetivo?

M: Acreditamos que ao mesclar épocas tão distintas tiramos o espectador da sua zona de conforto, ao mesmo tempo em que reforçamos o aspecto único de cada peça. Nossa ideia foi oferecer um retrato bruto do design brasileiro. A percepção – ou não – de uma linha evolutiva fica a critério de cada visitante.

No entender de vocês o que faz de cada um desses móveis, projetados em contextos e épocas tão diferentes, peças atemporais?

A: Penso que um móvel atemporal é aquele que tem o tempo a seu favor. Mesmo que tenham se passado décadas, ele continua gerando admiração e interesse. Um exemplo é a sala onde estão expostas a namoradeira de José Zanine Caldas e o banco do Hugo Sigaud. Peças e designers de gerações tão distantes, mas que se relacionam em perfeita harmonia. Sim, há os ícones que todos conhecemos, que por seus méritos indiscutíveis ganharam maior exposição, como a Cadeira Três Pés, de Joaquim Tenreiro, ou a Poltrona Vermelha, dos Campanas. Com os novos, o que buscamos foi expor “candidatos” a ícones. Com grandes chances, acreditamos.

 

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