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Sinal dos tempos

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo

28 Junho 2014 | 22h 00

Divulgação
SAO PAULO 30/4/2014 HM COLLECTION SUPLEMENTOCASA SUPLEMENTOCASA& SUPLEMNTO CASA NA FOTO HM COLLECTION FOTO FOTO Nicholas Calcott

 

Desenhada pelo casal Charles e Ray Eames na década de 1950, a cadeira Concha, pode ser considerada seguramente um dos móveis mais bem sucedidos de toda a história do design. Moldada originalmente em fibra de vidro, teve, no entanto, sua produção descontinuada quando os riscos ambientais associados à sua fabricação passaram a falar mais alto.

Fora do mercado até que um processo de obtenção mais adequado pudesse ser encontrado, ela retornou em grande forma em 2004, desta vez de polipropileno. Um plástico 100% reciclável que, de quebra, dotou o móvel de uma textura macia, durabilidade inédita e uma cartela de cores mais atual.

Emblemática, a metamorfose da Concha sinalizou também uma espécie de volta às origens para a Herman Miller, empresa fundada por George Nelson, em 1948, com o objetivo expresso de viabilizar “uma coleção de móveis projetados para atender a todos os requisitos da vida moderna”, mas que por décadas vinha concentrando seus lançamentos no setor corporativo.

“Ele entendeu, lá atrás, que não só os materiais e tecnologias iriam evoluir, mas também o comportamento humano”, diz Carla Barbosa, diretora de marketing da Herman Miller para a América Latina. “O que talvez ele não pudesse imaginar era o grau de integração que a vida privada e o trabalho acabariam por atingir”, comenta.

 

De fato, longe dos anos dourados vividos por Nelson, morar e trabalhar há muito deixaram de ser atividades desassociadas. “Não é mais uma questão de lugar. Mas de quando essas duas atividades vão acontecer simultaneamente”, pontua Carla. Daí a atual preocupação da Herman Miller de abastecer o mercado com móveis adaptados aos novos tempos.

Peças capazes de circular com plena desenvoltura entre a sala e o escritório, ocupando todos os espaços da vida contemporânea. Na coleção lançada pela empresa este ano, por exemplo, além da Concha, que reapareceu em versão ainda mais sustentável e volátil, outro clássico, o pufe Color Wheel Ottoman, desenhado por Alexander Girard em 1967, também ganha sua reedição.

Surpreendentemente atual em tempos de espaços racionalizados, o pufe excede em versatilidade: além do irresistível apelo vintage, a peça funciona como mesa de centro, apoio para os pés ou assento extra. “Ao retomarmos a produção dessas peças, nos preocupamos não só em atender às determinações dos designers, mas também aos nossos padrões atuais de sustentabilidade”, complementa a diretora.

Nesse sentido, além de reciclar muitas das preciosidades disponíveis em seus arquivos, a empresa americana tem, na última década, investindo pesado na ampliação de seu elenco de designers. Este ano, além de uma nova coleção de estofados (poltrona, sofá e cadeira), a Bolster, projetada pelo estúdio Bassam Fellows, a série inédita de mesas Polygon, do Studio 7.5, de Berlim, acaba de ser lançada.

Em essência, móveis sem maiores pretensões que a de proporcionar a seus usuários momentos de relaxamento e conforto, longe de todos e quaisquer excessos. Sejam eles formais ou estilísticos. “São peças projetadas por designers e estúdios de hoje, mas que compartilham dos mesmos ideais defendidos pela Herman Miller ao longo de sua história. São eles que vão proporcionar uma ponte entre nosso passado e nosso futuro”, acredita Carla. 

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