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Sobrado novo em folha

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

07 Junho 2014 | 16h 00

Repaginado por uma reforma radical, antigo imóvel no bairro do Jardim Paulistano ganha feições contemporâneas

Living projetado pela arquiteta Clara Reynaldo, com poltronas, juntas, da Ovo
Living projetado pela arquiteta Clara Reynaldo, com poltronas, juntas, da Ovo

Em sua primeira visita àquele imóvel, recém adquirido pelo casal de amigos no Jardim Paulistano, em São Paulo, a arquiteta Clara Reynaldo recorda que o cenário era desolador. “Existiam ecos da arquitetura residencial da década de 1950, mas apenas ecos. Na maior parte da casa prevalecia uma sucessão de estilos sem a menor identidade. A reforma era inevitável”, sintetiza ela.

Não que a proximidade com os clientes não tenha ajudado. Para imprimir transformações tão radicais a um sobrado como aquele, situado em área nobre da cidade, mas completamente inadequado para atender às necessidades de um jovem casal, com uma filha pequena, era preciso mais do que determinação e audácia. Era fundamental contar com total cumplicidade. 

Contar com mais luz foi, desde o início, consenso. Tanto a arquiteta quanto os proprietários sentiam a necessidade de deixar a casa bem mais iluminada. Também era claro que existiam áreas na construção que simplesmente não faziam mais o menor sentido. Caso de uma despensa, abaixo da escada, ou de uma cozinha fechada, com entrada única pelo corredor, janela diminuta e porta de saída para área externa.

E foi assim que, com total aval dos proprietários, Clara empreendeu, em pouco mais de oito meses, transformações radicais na estrutura do imóvel. Grandes áreas envidraçadas foram abertas e pequenas janelas, descontínuas e irregulares, substituídas por portas de correr de parede a parede. 

A sala de jantar, por exemplo, passou a ter acesso direto ao corredor lateral. “Para eles, trata-se de uma situação completamente nova e agradável. Hoje dizem se sentir comendo ao ar livre”, comenta a arquiteta. (Continue lendo a matéria depois da galeria.)

Reforma no Jardim Paulistano
Zeca Wittner/Estadão

A configuração atual do living, com esquadria ocupando toda a extensão da fachada principal da casa

A área da escada foi totalmente remodelada. “O antigo lavabo e o depósito espremiam a cozinha e a sala de jantar, dentro do bloco principal. Posicionando o lavabo e a escada em um bloco único, além de delimitar uma área marcante na casa – notada interna e externamente –, conseguimos abrir mais espaço para a cozinha. Um ambiente da maior importância para a família”, diz.

Como nenhum outro, o setor da edícula foi o que sofreu intervenções mais radicais. “A edícula não significava nada para eles”, admite a arquiteta. “O térreo contava com quarto e uma lavanderia ao lado. Um corredor entre esses dois espaços dava acesso a um recuo cimentado, equipado com uma churrasqueira, mas em nada integrada com o restante da casa”, conta Clara.

Demolido o quarto, a churrasqueira foi integrada à área, que se transformou em uma espécie de family room, com acesso direto a um jardim. “A ideia foi conceber um ambiente de uso múltiplo voltado para o lazer da família. Por isso, resolvemos ‘esquentar’ a ambientação, adotando uma cortina de palha para revestir o teto e uma parede de ladrilhos hidráulicos estampados .”

O quarto, que ficava acima desse espaço – antes acessado por uma escada caracol externa, de metal –, foi totalmente integrado ao andar superior do bloco principal por meio de uma passarela, sempre bem iluminada: além de vidro do piso ao teto, a área de transição recebeu iluminação especial para demarcar o volume à noite. “Aquele quarto, antes sem uso, abriu espaço para a montagem da suíte do casal, equipada com closet e banho. Ficou irreconhecível”, conta ela.

Na radical metamorfose empreendida por Clara, grande ênfase foi dada aos revestimentos. Madeira nos pisos das áreas sociais e quartos. Ladrilho hidráulico liso no piso da family room. Além de outro, revestindo a parede principal, desenhado pelo artista plástico Fábio Flaks. Concluídas as obras, uma constatação: “Diria que este sobrado rejuvenesceu bem uns 60 anos”, brinca a arquiteta.