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Vida de cão

Nestes projetos, os bichos de estimação recebem atenção especial para viver como parte da família

Lorena Tabosa

Natália Mazzoni

15 Junho 2014 | 08h 00

Zeca Wittner/Estadão

Quem tem animal de estimação deve saber que, aos poucos, eles acabam tomando conta da casa. Pelo menos aqueles com donos mais liberais, que não se importam em dividir o quintal, o sofá ou a casa toda com eles. 

Para melhorar a ambientação do bicho de estimação da família, a arquiteta Silvana Lara Nogueira cuidou da reforma do quintal de uma casa em Tamboré. “O espaço não é muito grande, tem 30 m², mas o casal de clientes queria transformá-lo em uma área pensada para o bem-estar do cachorro”, explica. Como o cão é da raça golden retriever, grande e um pouco bagunceiro, a ideia foi eliminar tudo o que ele pudesse derrubar ou remexer, como a grama. No lugar, foi colocado um piso de mosaico português na cor bege, que dá aderência às patas do animal e é de fácil limpeza.

Para que o ambiente não ficasse muito árido, foram colocadas duas jardineiras verticais e um banco fixo de madeira cumaru, que o cachorro não consegue mover. Na área também foi construído um canil com piso de porcelanato, que ajuda a evitar escorregões. O espaço, de 8 m², serve de abrigo para o melhor amigo da família nos dias de chuva. 

No caso do apartamento da jornalista Luciana Siqueira, na Vila Olímpia, o antigo escritório, de aproximadamente 7 m², é que foi preparado para a chegada dos irmãos felinos Haroldo, Nicolau e Monalisa. Os três foram adotados por Luciana, que é voluntária na ONG Adote um Gatinho. No espaço, prateleiras e túneis de madeira, feitos por encomenda no site Vida de Gato, e arranhadores. “O serviço do marceneiro ia sair muito caro, então, optamos pelo site. Infelizmente, ainda não há muitas lojas que vendam esse tipo de produto no Brasil”, conta.

Vida de cão
Zeca Wittner/Estadão

As prateleiras na casa de Luciana Siqueira foram encomendadas no site Vida de Gato e feitas sob medida

Mas, apesar de terem um quarto para chamar de seu, os gatos circulam por todo o imóvel, cujas janelas receberam telas para evitar acidentes. Alice, a filha de Luciana, de apenas 1 ano e 4 meses, convive bastante com o trio, o que requer cuidado redobrado com a higiene. “Limpamos a caixa de areia duas vezes ao dia. Mesmo que tenham pelo curto, são escovados todos os dias e ainda passo lenços umedecidos neles.”

A procura por móveis que atendessem às necessidades dos gatos e, ao mesmo tempo, não interferissem negativamente na decoração motivou o designer Frank Morais a criar uma linha de arranhadores, módulos e camas para os felinos. “Fiz algumas peças para a minha casa e postei na internet. O negócio começou a deslanchar, já que no Brasil não existem muitas peças assim”, diz Morais. 

Alguns produtos da linha estão na casa de Carol Junqueira, sócia no negócio. “Instalei os módulos em cima do sofá e os quatro gatos aproveitam muito. É como um playground para eles”, explica. Quando a brincadeira cansa, os bichos se espalham pelas caminhas dispostas na sala. Uma, com espaço para se esconder, tem a altura exata do braço do sofá, um truque para que eles não afiem as unhas na lateral do móvel.

Um quarto só deles

Zeca Wittner/Estadão

Em Moema, um apartamento de 150 m² abriga o que pode ser considerado por muitos um exagero. Das três suítes da casa, uma foi preparada exclusivamente para abrigar os dois mascotes da proprietária, a empresária Priscila Alencar. “Não sabíamos o que fazer com o quarto extra, já que não temos filhos. Tive então a ideia de dedicar o espaço aos meus cachorros”, conta Priscila.

Reike e Mel, os malteses de 6 e 4 anos, se espalham pela cama quando cansam das brincadeiras pela casa. Para facilitar o acesso, uma escada almofadada fica à disposição. O piso de madeira não precisou receber tratamento especial, já que os cachorros não costumam sujar o quarto e é o mesmo instalado nos outros quartos do apartamento, reformado pela arquiteta Erica Salguero.

Na decoração, almofadas e iluminação especial, com pontos de luz no teto. O armário guarda as diversas roupinhas dos cachorros e os produtos para garantir que o pelo esteja sempre limpo. “Os amigos que frequentam a casa não se acostumaram com a ideia, mas eu não vejo problema. Todo cachorro tem seu cantinho e esse é o deles”, afirma.

Reike e Mel, no entanto, têm acesso livre por toda a casa e também contam com outros lugares para descansar, já que cada cômodo abriga um par de caminhas.

Zeca Wittner/Estadão

Cuidados para uma boa convivência

Zeca Wittner/Estadão

Se você ainda não tem, mas gostaria de ter um animal de estimação, é bom tomar alguns cuidados antes de levar um para casa. Primeiro, é preciso escolher bem a espécie e a raça do animal que mais se adeque ao tamanho do imóvel e aos hábitos da família. “Para que uma pessoa que mora em apartamento tenha um labrador, por exemplo, é necessário montar uma rotina de exercícios para o cão, com caminhadas de pelo menos meia hora, duas vezes ao dia”, explica a veterinária Fernanda Fragata, diretora do Sena Madureira Hospital Veterinário.

O segundo passo é colocar telas nas janelas do imóvel e pensar soluções para o piso. “O ideal, para qualquer raça, seria um piso mais rústico. O piso frio é sempre bastante escorregadio. Uma alternativa é colocar tapetes ou passadeiras para aumentar o atrito da pata do animal com o chão”, instrui Fernanda. 

A arquiteta Silvana Lara Nogueira lembra que a escolha da cor do piso também é crucial. O melhor, segundo ela, é escolher tons que podem esconder pequenas manchas, como alguns beges. “É importante pensar, ainda, no funcionamento da casa com a circulação do animal, tirando do caminho coisas que ele possa derrubar. E se é um bicho que gosta de nadar, é preciso fazer uma proteção para a piscina. O mesmo tipo de cuidados que se tem com uma criança é necessário com o pet.”

O veterinário Alexandre Rossi, especialista em comportamento animal à frente do programa Missão Pet, do canal National Geographic, explica que receber um animal em casa é como receber um novo membro da família. “É essencial criar limites assim que o cachorro chega na casa, como determinar onde deve ser o seu banheiro. Mas também é importante ter a consciência de que esses animais domésticos vivem muito melhor quando estão perto do grupo ao qual eles pertencem, nesse caso, as pessoas que moram com ele.”

Antes de comprar ou adotar o seu, lembre-se que pesquisar sobre a raça não garante que o novo mascote seja exatamente como o esperado. “Um animal nunca é igual ao outro. O comportamento pode variar muito, até mesmo entre indivíduos de mesma raça. Uma alternativa bacana é adotar um animal um pouco mais velho, assim você já percebe se ele é mais calmo ou agitado, e escolhe o que tem mais a ver com você”, aconselha Rossi. 

Casa preparada

Telas: instale telas nas janelas, tanto para gatos quanto para cachorros.

Móveis: não estimule os cães a pular em sofás e camas, pois isso prejudica sua coluna. Gatos, por outro lado, têm a anatomia preparada para isso, de modo que podem ser instaladas prateleiras e túneis nas paredes para eles. Arranhadores também evitam que eles afiem as unhas nos móveis. 

Piso: prefira pisos rústicos, como pedras e madeiras. Se o piso for frio, coloque tapetes ou passadeiras, para criar maior aderência.

Revestimentos: evite palha e vime – um prato cheio para unhas afiadas. Móveis com quinas arredondadas evitam que o cão roa as extremidades.

Cortinas: tecidos que vão até o chão podem virar parque de diversão para o seu gato – e a brincadeira pode até ser perigosa para ele.

Jardim: confira com o veterinário quais plantas seu bicho pode comer. Isso impede que ele destrua todo o jardim.

Brinquedos: brinquedos melhoram a qualidade de vida do animal e evitam estragos feitos por pets entediados.