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Cavalgada cor de rosa

Cristiana Vieira - O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2009 | 16h 00

Hábito herdado dos tropeiros, a cavalgada tem conquistado mulheres que buscam exercício e diversão

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Seja no passo, no trote, no cânter (meio galope ou galope macio) ou mesmo no galope pleno, as mulheres seguem por trilhas, atravessam riachos, escalam dunas, passeiam na beira do mar ou simplesmente desfilam por percursos sem obstáculos, admirando a paisagem no lombo de um cavalo. Como atividade milenar que é, a cavalgada chegou ao segmento do turismo, atraindo quem quer sair da rotina para explorar a natureza, a cultura, a gastronomia ou a história do destino visitado.

 

Quem monta sente que muitos músculos são exercitados ao longo do caminho. Mas uma boa noite de sono costuma ser suficiente para recarregar as energias. Experientes no assunto dizem que cavalgar é como andar de bicicleta, jamais se esquece. E quem não tem experiência pode fazer uma aula para aprender os princípios da equitação e ganhar as noções básicas, assim como a habilidade e a confiança necessárias para aproveitar bem o passeio. "Em uma aula prática, é possível adquirir noções de equilíbrio, postura e de como conduzir o animal", explica o criador da Cavalgadas Brasil, Paulo Junqueira Arantes, dono de uma agência que oferece passeios exclusivamente a cavalo.

 

Tudo começou quando, em uma de suas viagens, Paulo encontrou alemães, americanos e austríacos que já tinham viajado pelo mundo, mas não conheciam o Brasil pela falta de oportunidade de passear a cavalo. Em sua investigação, ele descobriu que 74% desses viajantes, no mercado inglês, são mulheres. "São dados muito similares aos do Brasil, onde há mulheres de 30 a 59 anos fazendo passeios a cavalo", diz.

 

A bancária Adriana Higuti Kitamura, de 35 anos, morria de medo de andar a cavalo, até que decidiu fazer aula de equitação. "Queria saber dominar o animal. Em dois meses, já estava galopando, e logo comecei a treinar saltos", conta. Quando não tem companhia para viajar, escolhe logo um roteiro a cavalo. "É só para quem gosta", garante. "As viagens são ótimas. Passo o dia todo na natureza, fico isolada." Seu plano é viajar bastante pelo Brasil e, quando se sentir experiente, realizar o sonho de cavalgar pela África do Sul.

 

GOIANASElas já enfrentaram jacarés pelas trilhas do Pantanal

 

No auge de seus 65 anos, a fonoaudióloga Cândida Barros não hesita em procurar uma viagem a cavalo quando está de férias. Começou pelas fazendas do interior de São Paulo, e já foi para Natal e para o Pantanal. "Na segunda viagem, fui com a minha neta. Ela adorou o Pantanal por causa do contato com os bichos. São viagens tranquilas, bem organizados e ainda temos a oportunidade de fazer amizades."

 

Com a experiência que já adquiriu, Cândida não sai sem seu borrifador (as garrafinhas de água que deixa congelando durante a noite) e seu lenço umedecido, para qualquer emergência durante o percurso. Conta que a viagem a Natal lhe rendeu imagens inesquecíveis. "Andamos na beira do mar, por dunas e lagoas. Logo logo vou voltar", fala Cândida, que quer mesmo é ir para Machu Picchu, no Peru.

 

Geralmente, os passeios começam bem cedo. Em cada período, a cavalgada leva, em média, duas horas e meia. Para se ter uma ideia, calcula-se que uma hora andando a cavalo queime cerca de 400 calorias, com os benefícios de reforçar as noções de equilíbrio, distância e lateralidade. Além disso, cavalgar é um esporte de baixo impacto nas articulações e na coluna. Mais: fortalece o tônus muscular; combate o estresse; estimula a disciplina; melhora a postura e a coordenação motora; e permite o desenvolvimento de aspectos afetivos, de autoconfiança e a sociabilidade.

 

SUTIANZADAS

A cidade de São João da Boa Vista, a cerca de 250 quilômetros de São Paulo, é sede de um evento anual que foi batizado de Sutianzada. Trata-se de uma cavalgada só para mulheres: uma resposta aos maridos que queriam liberdade para viajar com os amigos por cidades vizinhas. Como uma doce vingança, elas criaram um passeio só para elas.

 

A primeira edição do evento contou com cerca de 40 participantes. Hoje, 12 anos depois, são mais de 100, vindas do Brasil inteiro. De homem, só vão o ferrador e o veterinário. Até o carro de apoio é conduzido por mulheres. Tem até um veículo batizado de "kombi do prego", para levar aquelas que se entregam ao cansaço. "Tem médica, juíza, empresária. Ali todo mundo se esquece da rotina. Uma ajuda a outra. Não tem frescura. Fazemos amizades, trocamos ideias, vira uma farra. A gente vai jantar de pijama", conta a empolgada Ana Paula Forneris, dona do Rancho Conquista, na Serra da Cantareira, a cerca de 30 quilômetros do centro de São Paulo.

 

Cansada de fazer turismo com a moçada que curte balada e bebedeira, uma dupla de amigas que vive em Goiás começou a usar as viagens a cavalo para desbravar a cultura, as pessoas, a gastronomia e até raças de cavalos em novos territórios por onde escolhem viajar. Hoje, o tour acontece todo mês de maio. A dupla de amigas e, agora, também outras mulheres, passam até seis dias fora. Já encararam desde os jacarés do Pantanal até as ladeiras de Minas Gerais. "Hoje temos até camiseta comemorativa para cada viagem", diz Verena Maria Bannwart Suaiden, uma das organizadoras do passeio.

 

Outra cidade que sedia um evento exclusivo para mulheres é Cambará do Sul (RS), onde é realizada a Cavalgada de Prendas de Canela, com um quórum de 50 mulheres que montam a cavalo para comemorar a Semana da Farroupilha, vestidas com trajes típicos (camisa, bombacha e bota campeira). Ou seja, é também uma forma de fortalecerem as tradições gaúchas.

 

Durante o percurso, lanches substituem o almoço. Afinal, chacoalhar sobre o cavalo de estômago cheio não é muito recomendado.

 

SERVIÇO

Cavalgadas Brasil: tel.: 4402-8884

Inema: (51) 3226-4111

Rancho Conquista: tel.: 4482-1740

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