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Assembléia de SP proíbe uso de celulares em escolas do Estado

Luísa Alcalde - O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 1969 | 21h 00

Lei, que ainda deve ser sancionada pelo governador José Serra, vale para públicas e particulares

Dentro de um mês, alunos de escolas públicas e particulares de São Paulo podem ficar proibidos de usar o celular em sala de aula, caso o Projeto de Lei 132/07, que proíbe o uso dos aparelhos em classe, seja sancionado pelo governador José Serra. A proposta, de autoria do deputado estadual Orlando Morando (PSDB), foi aprovada na terça-feira na Assembléia Legislativa de São Paulo. Como não precisa de regulamentação, a nova lei entrará em vigor assim que for aprovada pelo governador. Nos intervalos das aulas, os telefonemas estão liberados. "Não há nada de inconstitucional no texto que possa vir a ser usado para um eventual veto", acredita o deputado. "O envio de torpedos e conversas desvia a atenção dos estudantes", argumenta Morando. O projeto confere aos professores a tarefa de fiscalizar os alunos. Na prática, isso já acontece em colégios particulares, que regulam o uso do aparelho por meio do regimento interno. O colégio Dante Alighieri, nos Jardins, zona oeste de São Paulo, não proíbe o uso, mas recomenda que o professor tire o aparelho do aluno flagrado conversando em classe e só o devolva ao final da aula. Já no Colégio Arquidiocesano, na Vila Mariana, na zona sul da cidade, os aparelhos usados em sala de aula são recolhidos e entregues depois, aos pais dos estudantes. "O celular tumultua o ambiente e desfavorece o aprendizado", diz Isabel Michelan Azevedo, diretora educacional do Arquidiocesano. A novidade foi bem recebida pelo presidente do Sindicato das Escolas Particulares de São Paulo (Sieesp), José Augusto de Mattos Lourenço. "Sala de aula não é lugar para celular, iPod, mp3 e outros aparelhos." ESTADUAIS Rodrigo Pimenta da Silva, 18 anos, aluno da Escola Estadual Albino César, no Tucuruvi, nona norte, diz que os professores avisam que não permitem que os aparelhos fiquem ligados durante as aulas, mas nem todos os colegas respeitam a regra. "Tem uns cinco ou seis que sempre atendem. A professora fala para desligar porque senão vai colocá-los para fora da classe, mas sempre fica por isso mesmo", conta. Edson Silva, de 15 anos, aluno do primeiro ano do ensino médio de uma escola estadual, aprova a proibição. "Tem dia que não dá para prestar atenção na aula. São vários celulares tocando ao mesmo tempo", reclama. Ele diz que leva o dele, mas deixa desligado. William Pereira da Silva, de 16 anos, também aluno da rede estadual, desaprova a nova lei e considera que existem chamadas que precisam ser atendidas com urgência. "Não só de familiares, mas de amigos e namoradas", diz.

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