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Cursar faculdade de Moda prepara estilistas para o mercado ou limita a criatividade?

O Estadao de S.Paulo

28 Julho 2009 | 00h 00

Com certeza sempre surgirão novos talentos.A formação técnica na área de moda e design traz vantagem porque ensina metodologias, nomenclaturas, técnicas de desenho e de corte. Mas, para mim, há uma diferença entre designer e estilista. Estilista tem a ver com a cultura adquirida ao longo da vida, e não com a formação técnica. Estilo é um conjunto de formas, cores, texturas, atitudes, luzes, que se concretiza por meio das mais variadas técnicas. Acho os cursos importantes na formação, mas, para se tornar um estilista, é necessário experimentar e reconhecer quais são os elementos de estilo e desenvolver o próprio processo criativo. O ambiente acadêmico ajuda o aluno a experimentar e conhecer esses estilos e processos. Quanto aos valores impostos pelo mercado, essa é a diferença entre a arte e a moda, uma opção que cabe ao criador. Acho que deve haver alguns momentos de arte, intercalados com os do design que visa o mercado. Esse, para mim, é o maior prazer em criar um estilo. Minha formação não foi técnica. Sou de uma família de médicos, artistas plásticos, professores de história da arte, filosofia e teatro, sempre vestidos para cada momento, ora despojados, ora alinhados. Também tive uma educação ambiental e de esportes ligados à natureza. Comecei em 1986, quando desenhei o primeiro casaco de neve para mim e a equipe da expedição aos Andes e Alpes. Nos anos 90, criei a Osklen e fui experimentando meu estilo aos poucos, nas roupas técnicas, para a praia e o surfe, e, no início dos anos 2000, na moda. Eu só aprendi a linguagem de moda há oito anos, e ainda estou aprendendo. Tanto com as minhas criações quanto com as pessoas que trabalham comigo, formadas em design. Eles me ajudam a transformar o meu estilo em coleções.

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