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Droga para tratar inflamação na próstata ''esconde'' tumor, diz estudo

Naiana Oscar - O Estadao de S.Paulo

08 Agosto 2009 | 00h 00

O uso de antibióticos para tratar inflamações na próstata pode mascarar a existência de câncer. A constatação é de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), premiados em maio no Congresso Americano de Urologia pelo estudo. Um terço dos pacientes avaliados e tratados com antibióticos tinha tumor na próstata. A pesquisa analisou os casos de 200 pacientes, entre 50 e 75 anos, atendidos de 2006 a 2008 nos ambulatórios de urologia do Hospital das Clínicas de Campinas. Todos estavam com a próstata inflamada e apresentaram índices altos nos exames de sangue que medem uma proteína chamada antígeno prostático específico (PSA, na sigla em inglês). O normal é que o índice esteja abaixo de 2,5 ng/ml. Os pacientes pesquisados tinham entre 2,5 e 10 ng/ml. "Quando esses valores estão altos e o toque retal não indica problemas, os médicos costumam suspeitar de uma inflamação e receitam antibióticos", explicou o autor do estudo, o médico Rafael Mamprim Stopiglia. Segundo ele, o resultado costuma ser positivo: o PSA diminui e o médico libera o paciente. "Mas será que a proteína caiu pelo uso do antibiótico ou foi coincidência? E se caiu é verdade que não há câncer de próstata? Essas eram as nossas dúvidas", afirma. Os pacientes foram divididos em dois grupos tratados com antibiótico e placebo. Nos dois casos, o PSA caiu em 50% dos homens. Depois, todos foram submetidos a biópsia. Entre os que tomaram antibiótico e registraram queda no exame de sangue, um terço tinha câncer de próstata. "O problema é que em um consultório, com esse resultado, o médico pode dizer ao paciente: vá para casa tranquilo que está tudo em ordem. Sem saber que não está", diz Stopiglia. Com base nos resultados da pesquisa, a orientação aos médicos é de que só devem receitar o antibiótico quando o paciente tiver sintomas claros de infecção, como febre e dor. Mesmo que o exame de sangue indique normalidade no PSA, a hipótese de um tumor não pode ser descartada. "A utilização de antibióticos não traz benefícios ao paciente e não autoriza o urologista em postergar a biópsia", explicou o urologista Leonardo Oliveira Reis, coautor do estudo. O chefe do Departamento de Uro-oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia, Carlos Corradi, diz que, embora comum, a prescrição de antibióticos aos pacientes com suspeita de inflamação na próstata não é correta. "A pesquisa mostra que essa é realmente uma postura que deve ser mudada."

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