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A moda dos headphones em tempos de Copa do Mundo

Júlia Tibério - Especial para O Estado de S. Paulo

05 Julho 2014 | 09h 00

Os fones de ouvido gigantes se firmam como acessório fashion, movimentam bilhões de dólares, e viram motivo de briga entre patrocinadores no Mundial

Reprodução/ Divulgação
Cada um com seu cada qual: os jogadores e os inseparáveis fones

O ônibus sai do hotel com destino ao estádio Castelão. Os momentos de tensão são embalados por diferentes ritmos: Neymar ouve músicas de seu amigo Thiaguinho, outros preferem gospel, enquanto uns batucam samba no fundão. Agora é tudo ou nada. Se ganhar o Brasil está nas semi-finais da Copa do Mundo, se perder... bem, melhor não pensar. Quando o ônibus chega ao estádio é hora de parar a música, e não por ordem do técnico Felipão ou de seu ajudante Parreira, mas por uma nova regra criada pela FIFA. A associação que organiza o Mundial proibiu o uso de fones de ouvidos que não sejam da Sony (patrocinadora do torneio) nas dependências dos estádios, na esperança de banir os fones da Beats by Dre.

A concorrente reclamou. “Antes de o torneio começar, fechamos uma parceria com a CBF e lançamos uma coleção de headphones com as cores da seleção brasileira e mensagens de incentivo”, explica ao Estadão o norte-americano Omar Johnson, CMO da Beats by Dre, marca que detém 70 % do mercado mundial no segmento e há um mês foi comprada pela Apple por mais de 3 bilhões de dólares.  A Beats, criada pelo cantor Dr. Dre, foi a pioneira na onda dos fones gigantes e coloridos, que têm referências emprestadas do universo dos rappers, e é a favorita dos jogadores de futebol (é só observar o tanto de selfies que eles postam com o acessório pendurado no pescoço).

“O costume de usar os fones de ouvido gigantes começou com os negros dos Estados Unidos e logo se estendeu para os jogadores de futebol, que têm certa identificação com esse movimento de streetstyle”, afirma o editor de moda Sylvain Justum. Dos jogadores, a tendência foi parar nas passarelas de Milão, já que na semana passada a Fendi desfilou uma coleção urbana que trazia os modelos com headphones coloridos pendurados no pescoço, no melhor estilo boleiro. “Ver os fones em passarelas de grandes marcas, só mostra o quanto o mundo da moda tem olhado para movimentos que nascem nas ruas. O curioso é justo a Fendi, uma marca mais tradicional e clássica, apostar nessa linha. Hoje, fones são, sim, um acessório de estilo”, completa Sylvain.

Reprodução/ Divulgação
Nas passarelas masculina também virou acessório fashion

Durante a Copa do Mundo, a Sony viu que tinha nas mãos uma chance de crescer no mercado e também apostou nos atletas do torneio como garotos propaganda de seus fones de ouvido. “Todos os jogadores das 32 delegações foram presenteados com um headphone top de linha, para que possam ouvir música e relaxar antes das partidas”, conta Ana Malerbi, gerente de produto da marca no Brasil. Como a marca japonesa não patrocina nenhum atleta e não pode obrigá-los a usar os tais fones, fez pressão para que a FIFA banisse os modelos das concorrentes. A rixa ficou ainda maior quando, na última semana, a revista Forbes publicou uma pesquisa que mostra quais marcas, relacionadas à Copa, o telespectador pretende apoiar depois do torneio. A Beats by Dre é a oitava colocada, enquanto a Sony nem aparece na lista das dez primeiras. Em outro estudo, feito pela organização analista de marketing Global Language Monitor, que mede o número de menções de marcas durante o torneio, a Beats aparece em segundo lugar, já a Sony, em sétimo.

O sucesso da Beats também deve-se ao fato de usar jogadores como garotos-propaganda. Em seu mais novo e importante filme publicitário, “The Game Before The Game” (que já tem mais de 20 milhões de visualizações no YouTube), Neymar é o astro principal e contracena com seu pai, com o espanhol Cesc Fabregas, o holandês Van Persie, o mexicano Chicharito Hernández, o alemão Schweinsteiger, o uruguaio Luis Suárez e outros craques. “Se tem um nome que não sai da cabeça das pessoas hoje em dia é o de Neymar”, afirma Omar Johnson. “Quando ele chegou para nossa primeira reunião, usava um Beats no pescoço. A música faz parte do seu estilo, acho que não poderíamos ter um parceiro melhor”, continua. Omar não nega que a popularização dos fones como acessório de moda aumentou as vendas e que ter o jovem jogador do Barcelona como principal embaixador da marca é para lá de rentável. “Nos próximos meses vamos lançar um coleção Beats assinada por Neymar Jr.”, conta com exclusividade ao Estadão. A qualidade do som dos headphones é alta. O preço também. Dependendo do modelo, pode custar até 1500 reais. 

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