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São Paulo ganha primeiro espaço de coworking de moda

- Atualizado: 07 Março 2016 | 15h 49

Criado no fim do ano passado, local de trabalho compartilhado tem estúdio, mesa de corte e máquinas de costura e é destinado a profissionais iniciantes no setor

O espaço, que fica na Consolação, possibilita a troca constante de informações entre quem atua na área.

O espaço, que fica na Consolação, possibilita a troca constante de informações entre quem atua na área.

À primeira vista, parece uma ideia meio louca. Enquanto centenas de profissionais da moda mundo afora ainda fazem de tudo para manter segredo sobre suas coleções e trabalhos, a proposta de um espaço de coworking (onde autônomos compartilham o mesmo local de trabalho) voltado para a moda pressupõe exatamente o contrário: a troca constante de informações entre quem atua na área. Mas experiências no exterior mostram que a ideia dá certo. Uma das principais referências é o Moda 22, de Barcelona, que começou como um espaço de coworking e evoluiu para o compartilhamento de produção. Agora, a iniciativa chega ao Brasil, com o Lab Fashion, o primeiro espaço de coworking de moda de São Paulo.

Criado em setembro do ano passado por uma dupla de administradores com experiência no setor, o espaço tem sala de reuniões, estúdio fotográfico, sala de costura com máquinas industriais para prototipagem, mesa de corte e um banco de tecido. Além de surgir como alternativa para quem não possui condições de montar uma estrutura própria, o espaço tem ainda como objetivo possibilitar trocas de experiência entre os profissionais. "Observamos que no mercado tradicional do Brasil as pessoas não estão acostumadas a compartilhar, há muita competição", diz Fábio Uehara, um dos fundadores do Lab Fashion. "Isso limita a criatividade e gera atraso no desenvolvimento."

Conheça o Lab Fashion, primeiro coworking de moda de São Paulo
CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
Lab Fashion

Criado em setembro de 2015, o Lab Fashion é o primeiro coworking de moda de São Paulo.

A designer de moda Bethina Oger, 23 anos, foi a primeira a abraçar a ideia do Lab Fashion. "Já conhecia o conceito e, quando conheci o espaço, adorei", conta. Na opinião dela, a troca de experiências é um dos fatores mais positivos do local. "Eu vejo o que os outros estão fazendo e a gente se ajuda, mas isso não significa que eu vá ‘roubar’ o trabalho de alguém", diz. Ley Ouchi, que também é designer e tem mais de 10 anos de experiência no mercado de moda, concorda com Bethina. "Ao compartilhar, você recebe muito mais informações relevantes para crescer do que se mantivesse segredo esperando crescer sozinho", opina.

A iniciativa não atrai apenas quem trabalha diretamente com modelagem e estilismo. A empresária Alba Coltri, por exemplo, é especialista em branding para moda e buscou o Lab Fashion justamente por ser um local voltado para a área. "Tem uma sinergia interessante, pois ao mesmo tempo em que tem uma estrutura que atende às minhas necessidades, com salas de reunião e estúdio, por exemplo, proporciona a convivência com gente interessante e o contato direto com outros profissionais da moda", afirma.

Por enquanto, o Lab Fashion ainda não é voltado para a produção e comercialização das peças em maior escala, embora isso esteja nos planos dos sócios. "Esperamos que até o final do ano a gente consiga ajudar os coworkers a viabilizar o negócio, seja contatando possíveis compradores ou pensando em formas de comercializar", explica Uehara. Para utilizar o espaço, que tem capacidade para 15 pessoas, há opções de planos diários (R$ 60), mensais (R$ 262, com duas horas de uso de salas de reunião ou estúdio por mês) ou mensais ilimitados, (R$ 604, com quatro horas de uso das salas especiais).

Segundo o professor de design de produto do Istituto Europeo di Design (IED São Paulo), Hulk Gianelli, o compartilhamento é o futuro do mercado. “Notamos que nos últimos anos surgiram cada vez mais locais de coworking para áreas específicas, o que potencializa o trabalho”, explica Gianelli, que pesquisa o novo formato de produção. “Ainda há um pouco de barreira na moda, mas o setor começa a perceber que manter segredo não é mais a solução e não é possível se basear em cópias. Os clientes hoje buscam marcas que sejam referência e façam sentido para eles”, completa.

 

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